A formação da rede urbana como estratégia de definição da fronteira entre as Capitanias de Minas Gerais e de São Paulo na segunda metade do século XVIII

Palavras-chave: Capitania de São Paulo. Capitania de Minas Gerais. Rede urbana. Fronteiras. Século XVIII.

Resumo

As instituições municipais são instrumentos essenciais na consolidação e defesa dos territórios da Coroa portuguesa no Brasil. No século XVIII, frente às descobertas auríferas e a ocupação do território, a criação de vilas em Minas Gerais configura-se como estratégia de afirmação do poder da Coroa e de organização administrativa. Quando a Capitania de São Paulo é restaurada em 1765, o fortalecimento do poder da Coroa se estrutura por ações militares e pela inauguração da produção de açúcar, associada à criação de uma rede de povoados, freguesias e vilas. Os governadores paulistas buscam aprimorar estruturas que garantiriam os fluxos de pessoas e mercadorias no território, bem como consolidar os limites com os domínios da Espanha e com as capitanias confinantes. Contudo, a ocupação das áreas de fronteira entre as capitanias de São Paulo e de Minas Gerais nunca foi consensual entre as autoridades, tanto metropolitanas quanto coloniais. Região de litígio no século XVIII, o sertão do Rio das Mortes foi marcado por estabelecimentos paulistas, estimulados pelo governo desta capitania, e pelas tentativas de ordenamento das autoridades coloniais mineiras. O trabalho analisa conflitos, práticas e discursos envolvidos no processo de constituição da rede urbana na região de fronteira entre as capitanias de Minas Gerais e São Paulo no final do século XVIII. As ações da Coroa indicam a importância da região no final do século XVIII. Destaca-se o papel dos agentes do poder civil e eclesiástico no estabelecimento dos núcleos urbanos em questão.Os estudos de caso elucidam diferenças regionais em um mesmo contexto e fundamentam-se na documentação primária que representa os instrumentos de controle do território por parte da Coroa: a cartografia e os ofícios das Câmaras e dos Governadores.

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Biografia do Autor

Ivone Salgado, Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Professora Titular da Pontifícia Universidade Católica de Campinas junto ao Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (desde 1998) e junto à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (dese 1987). Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1978),  doutorado em Urbanisme "Amenagement et Environnement" pelo Institut d´Urbanisme de Paris - Université de Paris XII (Paris-Val-de-Marne) (1985) e pós-doutorado junto ao Istituto Universitario di Architettura di Venezia (2008-2009). . Foi coordenadora da área de Arquitetura e Urbanismo da Diretoria Científica da FAPESP, entre 2000 e 2008.
Renata Baesso Pereira, Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Professora Titular da Pontifícia Universidade Católica de Campinas - SP, Membro do corpo docente permanente do Programa de Pós Graduação em Urbanismo (POSURB PUC - Campinas, desde 2012) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU PUC Campinas, desde 2008). Membro do grupo de pesquisa "História das Cidades: Ocupação Territorial e Ideários Urbanos do CEATEC PUC Campinas. Doutora pelo Programa de Pós Graduação da FAU USP na área de concentração de História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo (2008), mestre em Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2000) e graduada na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (1994).

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Publicado
2017-09-23
Como Citar
Salgado, I., & Pereira, R. B. (2017). A formação da rede urbana como estratégia de definição da fronteira entre as Capitanias de Minas Gerais e de São Paulo na segunda metade do século XVIII. Labor E Engenho, 11(3), 218-241. https://doi.org/10.20396/labore.v11i3.8649253
Seção
Artigos