Dos meandros às serras: o habitat sertanejo na conformação imagética da paisagem mogiana

Palavras-chave: Paisagem cultural, Mogiana, Urbanidade regionalista, Serra de Mogyguassu, Sertanejo, Imaginário.

Resumo

Entre vales, campos e serras, na região de fronteira entre os territórios administrativos de São Paulo e Minas Gerais, configurou-se uma paisagem cultural plural, multifacetada e profundamente relacionada com as possibilidades da terra. Aqui identificada por Paisagem Mogiana, local de fluxo e convergência de muitos entes entre os Século XVII e XIX, teve sua configuração e significado alterado pelo material e o simbólico.  De modo amplo, as questões apresentadas contribuem para a compreensão do jogo de avanços e recuos referentes aos limites administrativos paulistas e mineiros, até meados do Século XIX. O delinear de um modo de vida às barrancas dos rios, faz surgir um tipo de sertanejo adaptado às potencialidades daquela terra, como consequência de um processo de enraizamento. Se em um primeiro momento o conhecimento sobre a paisagem esteve relacionado a um modo de vida e cultura nativa, em que as relações entre matéria e espírito se apresentavam de modo indissociável e conferiam a ela um aspecto sagrado e místico; noutro, com a inserção de novos agentes sociais e heranças diluídas de uma cultura cristã adaptada às condições hostis do sertão, teve seu significado atrelado à lendas da cultura medieval portuguesa.  Em um terceiro momento, mediante os ideais progressista e cientificista, tem-se a desconstrução dos dois primeiros significados, passando a corresponder aos anseios de fiscalização, organização e avanços quanto ao domínio territorial. A passagem do segundo para o terceiro momento associa-se, também, à chegada de novos aportes tecnológicos como as linhas de telégrafos e estradas de ferro – incluindo-se como marco a promulgação da Lei de Terras, em 1850 - em conjunto, estas mudanças acabam por inserir o indivíduo sertanejo em uma nova dinâmica, sem a possibilidade de retorno à estrutura anterior.

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Biografia do Autor

Jéssica de Almeida Polito, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Professora do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Adventista de São Paulo.

Jane Victal, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Professora Titular em Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Mestre e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo.

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Publicado
2019-03-19
Como Citar
Polito, J. de A., & Victal, J. (2019). Dos meandros às serras: o habitat sertanejo na conformação imagética da paisagem mogiana. Labor E Engenho, 13, e019001. https://doi.org/10.20396/labore.v13i0.8652925
Seção
Artigos