Linguagem e pensamento na filosofia grega clássica

  • José Gabriel Trindade Santos Universidade Federal da Paraíba
Palavras-chave: Filosofia clássica grega, Linguagem, Pensamento.

Resumo

O meu objectivo é apontar as mais relevantes contribuições da Filosofia Grega Clássica para o estudo das relações entre Linguagem e Pensamento. Vejo-as expressas na contínua tarefa de inovação conceptual que acompanha a tradição grega clássica, desde as suas origens. Começo pela concepção de Ser, desenvolvida no Poema de Parménides, mostrando como corresponde à execução de um programa de investiga- ção do real, concebida a partir da evidência proporcionada pela linguagem e pensamento. Particular atenção é conferida à emergência da concepção de ‘verdade’, implícita em B7.1, como comentário a B6. A recep- ção platónica à teoria do Eleata é referida nas Teorias das Formas e da Anamnese e complementada pela revisão problemática e crítica, do Teeteto e Sofista. São definidas duas perspectivas estruturantes do real, a primeira suportada pela gama conceitual derivada da análise do verbo grego ‘ser’ (einai): “ser”, “essência”, “existência”, “substância”, ”entidade”, “ente”, “uno”, “todo/tudo”; a segunda refinada pela crítica do ‘pensamento’ e pela desambiguação dos sentidos de einai. Concluo com a crítica de Aristóteles às concepções platônicas, expressa na sua concepção do Ser, como “dito de muitas maneiras”, apoiada nas teorias articuladoras do pensamento, linguagem e Ser: da construção do universal, a partir da experiência; e da significação. Para além da introdução das distinções de “Substância Primeira/“Segunda” (vide ‘indivíduo’ e ‘universal’) e “essência/existência”, nos tratados sobre a linguagem o Estagirita fixa os conceitos de “nome”, “discurso”, “proposição”, “verdade/falsidade”, refinando concepções difundidas nos diálogos platónicos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

José Gabriel Trindade Santos, Universidade Federal da Paraíba
Universidade Federal da Paraíba CCHLA-Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes Conjunto Humanístico - Bloco IV - Campus I - Cidade Universitária 58059-900 JOÃO PESSOA, PB BRASIL

Referências

ALLEN, R.E. “Participation and Predication in Plato’s Middle Dialogues”. In: Studies in Plato’s Metaphysics. London, pp. 43-60, 1965.

BARNES, J., SCHOFIELD, M., SORABJI, R. (eds.). Articles on Aristotle I. London, 1975.

BROWN, L. “Being in the Sophist: a Syntactical Enquiry”. In: G. Fine (ed.). Plato I. Oxford, pp. 455-478, 1999.

CALOGERO, G. Studi sull’Eleatismo. Roma, 1932.

CASERTANO, G. Parmenide, il metodo, la scienza, l’esperienza. Napoli, 1978.

CHARLES, D. Aristotle on Meaning and Essence. Oxford, 2000.

COOPER, J. “Plato on Sense Perception and Knowledge: Theaetetus 184 to 186”. Phronesis, 15, pp. 123-146, 1970.

CURD, P. “Eleatic Arguments”. In: Method in Ancient Greek Philosophy. Oxford, pp. 1-28, 1998.

FINE, G. (ed.). Plato I. Oxford, 1999.

FRÄNKEL, H. “A Thought Pattern in Heraclitus”. In: A.P.D. Mourelatos (ed.). The Presocratics. New York, pp. 214-228, 1974.

FURLEY, D., ALLEN, R.E. (eds.). Studies in Presocratic Philosophy. London, 1979.

FURTH, M. “Elements of Eleatic Ontology”. In: A.P.D. Mourelatos (ed.). The Presocratics. New York, pp. 241-270, 1974.

GRAHAM, D.W. “Empedocles and Anaxagoras”. In: A.A. Long (ed.). The Cambridge Companion to Early Greek Philosophy. Cambridge, pp. 159-180, 1999.

HÖLSCHER, U. “Anaximander and the Beginnings of Greek Philosophy”. In: D. Furley, R.E. Allen (eds.). Studies in Presocratic Philosophy. London, pp. 281-322, 1979.

KAHN, C. Anaximander and the Beginnings of Greek Cosmology. New York, 1960.

KAHN, C. The Verb ‘Be’ and its Synonyms. Dordrecht/Boston, 1966.

LESHER, J.H. “Early Interest in Knowledge”. In: A.A. Long (ed.). The Cambridge Companion to Early Greek Philosophy. Cambridge, pp. 225-249, 1999.

LONG, A.A. (ed.). The Cambridge Companion to Early Greek Philosophy. Cambridge, 1999.

McKIRAHAN Jr., R. “Zeno”. In: A.A. Long (ed.). The Cambridge Companion to Early Greek Philosophy. Cambridge, pp. 134-158, 1999.

MOHR, R.D. The Platonic Cosmology. Leiden, 1985.

MORAVCSIK, J. Platão e o Platonismo. Aparência e Realidade na Epistemologia e na Ética. São Paulo, 2006 (Primeira edição original: 1992)

MOURELATOS, A.P.D. The Route of Parmenides. New Haven/London, 1970.

MOURELATOS, A.P.D. (ed.). The Presocratics. New York, 1974.

NEHAMAS, A. “Self Predication and Plato’s Theory of Forms”. In: Virtues of Autenticity. Princeton, pp. 176-195, 1999.

OWEN, G. “Plato on Not-Being”. In: G. Fine (ed.). Plato I. Oxford, pp. 416-454, 1999.

OWEN, G. “Tithenai ta phainomena”. In: J. Barnes, M. Schofield, R. Sorabji (eds.). Articles on Aristotle I. London, pp. 113-126, 1975.

SANTAS, G.X. “The Form of the Good in Plato’s Republic”. In: G. Fine (ed.). Plato I. Oxford, pp. 247-274, 1999.

SANTOS, J.T. “’Existir’” e ‘Existência’, em Platão”. Disputatio, 16, pp. 33-57, 2004.

SANTOS, J.T. “El nacimiento de la Verdad”. Methexis, XVII, pp. 7-24, 2004a.

SANTOS, J.T. “Epistêmê e Formas no Teeteto”. In: J.T. Santos (org.). Do Saber ao Conhecimento. Lisboa, pp. 43-62, 2005.

SANTOS, J.T. “O Tempo na narrativa platónica da Criação”. Hypnos, 17 (no prelo).

SANTOS, J.T. (org.). Do Saber ao Conhecimento. Lisboa, 2005.

Publicado
2016-02-25
Como Citar
Santos, J. G. T. (2016). Linguagem e pensamento na filosofia grega clássica. Manuscrito, 29(2), 525-550. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/manuscrito/article/view/8643590
Seção
Artigos