Funcionalismo e causação mental

Autores

Palavras-chave:

Kim, Fisicalismo, Causação mental, Funcionalismo, Mente-corpo

Resumo

O que colocou o funcionalismo no centro do debate em torno do problema mente-corpo nos últimos trinta anos parece ter sido a sua capacidade de conciliar intuições fisicalistas com uma espécie de não-reducionismo: se por um lado postula-se a existência de entes físicos somente, distribuídos em uma ontologia estratificada, por outro não se falha em explicitar uma distinção real entre as propriedades de entes capacitados a sentir e representar. A superveniência mente-corpo aparentava esclarecer essas intuições dos fisicalistas não-redutivos. Vários dos trabalhos de Kim em torno dessa relação, em especial aqueles publicados antes do fim da década de oitenta, sugeriram a superveniência como uma possível, e promissora, elucidação do estado de coisas em torno do problema da relação entre a mentalidade e o físico. Nos últimos anos, contudo, Kim apresentou um dilema, expressando com bastante pungência que a causação mental revela-se ininteligível, valendo ou não valendo a superveniência mente-corpo. Por conseguinte, a superveniência deixa de compor uma possível solução para o problema, passando a constituí-lo. Como tal conceito de superveniência mente-corpo estende-se naturalmente a uma região de intersecção entre todas as posturas não-reducionistas minimamente fisicalistas, as preocupações de Kim, se de fato justificadas, sugerem algo de bastante grave com o fisicalismo não-reducionista. Defenderemos neste trabalho que, apesar do problema da exclusão causal ser genuíno, ainda é cedo para concluirmos a falsidade do fisicalismo não-redutivo.

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Biografia do Autor

Paulo Abrantes, Universidade de Brasília

Doutor pela Universidade de Paris. Professor na Universidade de Brasília.

Felipe Amaral, City University of New York

Ph.D. from the City University of New York. Professor at the Brasília University.

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Publicado

2002-03-31

Como Citar

ABRANTES, P.; AMARAL, F. Funcionalismo e causação mental. Manuscrito: Revista Internacional de Filosofia, Campinas, SP, v. 25, n. 3, p. 13–45, 2002. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/manuscrito/article/view/8644626. Acesso em: 4 fev. 2023.

Edição

Seção

Artigos