As bases eleitorais de Lula e do PT: do distanciamento ao divórcio

Autores

  • Sonia Luiza Terron Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Diretoria de Geociências
  • Gláucio Ary Dillon Soares Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

Território eleitoral. Voto. Comportamento político. Análise espacial. Geografia eleitoral

Resumo

O debate sobre o distanciamento entre Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT) ganhou corpo na eleição de 2006, quando a popularidade de Lula e de seu governo não se estendeu ao PT, como seria esperado. Pela primeira vez o partido não melhorou o desempenho na votação para a Câmara dos Deputados em relação à eleição anterior. Analisamos as bases eleitorais de Lula e do PT nas quatro últimas eleições para presidente e deputado federal (1994-2006), e comprovamos o distanciamento entre elas. Pesquisamos a distribuição espacial das votações ao nível do município com mapas, estatísticas e regressões espaciais. Identificamos o “descolamento” dos territórios eleitorais do candidato e do partido a cada eleição, e as regressões espaciais mediram a crescente independência espaço-temporal das votações: os coeficientes baixaram de 0,85 em 1994, para 0,15 em 2006. Houve um processo de distanciamento geossocial, no período de 1994 a 2002, e um “divórcio” entre as bases eleitorais, em 2006, quando se formaram territórios de configurações praticamente irrelacionadas.

 

Abstract:

The debate about the distancing between Lula and the Workers Party (PT) gained acceptance in the 2006 election, when the popularity of Lula and his government did not extend to the PT, as expected. For the first time the party did not improve performance in the voting for the Chamber of Deputies regarding the previous election. We analyzed the electoral bases of Lula and the PT in the last four elections for president and federal deputies (1994-2006), and we prove the distancing between them. We studied the spatial distribution of votes at the municipal level with maps, statistics and spatial regression. We identified the detachment of the candidate’s and party's electoral territories every election, and the regressions measured the growing spatial-temporal independence of the votings: the coefficient fell from 0.85 in 1994 to 0.15 in 2006. There was a process of geossocial distancing in the period 1994 to 2002, and a "divorce" between the electoral bases in 2006 when the territories seemed to be nearly unrelated to each other.

Keywords: electoral territory; voting; political behavior; spatial analysis; electoral geography

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Biografia do Autor

Sonia Luiza Terron, Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Diretoria de Geociências

Doutora em Ciência Política (2009) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), Mestre em Ciências Geodésicas (1987) e graduada em Engenharia Cartográfica (1982) pela Universidade Federal do Paraná. No Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ingressou em na área de Geociências, em 1987, tendo acumulado experiência no planejamento e construção das Bases Territoriais dos Censos e Pesquisas, no cadastramento das Estruturas Territoriais Nacionais (Divisão Político-Administrativa e outras) e na adequação de processos, métodos e geotecnologias para produção e informatização de mapeamento urbano para os Censos. 

Gláucio Ary Dillon Soares, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Possui graduação em Sociologia e Ciência Política pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1958), graduação em Direito pela Universidade Cândido Mendes (1957), mestrado em Direito - Tulane University (1959) e doutorado em Sociologia - Washington University at St Louis Mo (1965).

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Publicado

2015-10-27

Como Citar

Terron, S. L., & Soares, G. A. D. (2015). As bases eleitorais de Lula e do PT: do distanciamento ao divórcio. Opinião Pública, 16(2), 310–337. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8641354

Edição

Seção

Artigos