Competição partidária e voto nas eleições presidenciais no Brasil

Autores

  • Fernando Limongi Universidade de São Paulo
  • Fernando Guarnieri Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

Eleições presidenciais. Competição eleitoral. Partidos. Coordenação eleitoral. PT. PSDB

Resumo

Neste artigo mostramos que as mudanças na base de apoio a Lula, que se tornam mais evidentes nas eleições de 2006, são mais bem explicadas por variáveis políticas. Para isso recorremos a uma base de dados original, agregada por seção eleitoral, e estendemos a análise incluindo outros partidos e as eleições que precederam aquele pleito. Por um lado, uma explicação do que houve em 2006 precisa dar conta do que ocorreu em 2002, quando o PT chega à presidência. Por outro lado, dado o caráter composicional do voto, a razão do que ocorre com os votos do PT deve explicar o que acontece com os votos de seus adversários. Observamos que o sucesso do PT e a ampliação de sua base a partir de 2006 acontecem após a implosão do PSDB em 2002 e a ausência de adversários competitivos. As explicações que associam o novo padrão de voto em Lula com sua chegada ao poder não dão conta dessas dinâmicas. Sugerimos que um melhor esclarecimento deve privilegiar as estratégias de coordenação pré-eleitoral adotadas pelos partidos.

 

Abstract:

In this article we show that changes in the support base for Lula that become more evident in the 2006 elections are best explained by political variables. For this we turn to an original database, aggregated at the ballot station level, and we extend the analysis including other parties and elections preceding that election. On the one hand, an explanation of what happened in 2006 needs to explain what happened in 2002, which is when the PT reaches the presidency. On the other hand, given the compositional character of the vote, the explanation of what happens to the votes of the PT should explain what happens to the votes of his opponents. We note that the success of the PT and the expansion of its base from 2006 occur after the implosion of the PSDB in 2002 and the absence of competitive opponents. Explanations based on the advantages brought by the coming of PT to power do not give an accurate account of these dynamics. We suggest that a better explanation should focus on the preeelection coordination strategies adopted by the parties.

Keywords: presidential elections; electoral competition; parties; electoral coordination; Worker’s Party; Brazilian Social Democracy Party

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Biografia do Autor

Fernando Limongi, Universidade de São Paulo

Possui graduação em Ciencias Sociais pela Universidade de São Paulo (1982), mestrado em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (1988) e doutorado em Ciência Política - University of Chicago (1993). Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo, pesquisador sênior do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e vice-coordenador do Núcleo de Estudos Comparados e Intencionais da USP (NECI/USP)

Fernando Guarnieri, Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Fiz minha graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1994), mestrado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (2004) e doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (2009). Atualmente sou pós-doutorando no Centro de Estudos da Metrópole CEM/CEBRAP. 

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Publicado

2015-11-03

Como Citar

Limongi, F., & Guarnieri, F. (2015). Competição partidária e voto nas eleições presidenciais no Brasil. Opinião Pública, 21(1), 60–86. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8641576

Edição

Seção

Artigos