Do lulismo ao antipetismo? Polarização, partidarismo e voto nas eleições presidenciais brasileiras

Autores

  • André Borges Universidade de Brasília
  • Robert Vidigal State University of New York

Palavras-chave:

Polarização. Identificação partidária. Comportamento eleitoral. Comportamento político. Antipetismo.

Resumo

O debate recente sobre identificação partidária e comportamento eleitoral no Brasil vem apontando para a crescente importância do posicionamento dos eleitores com respeito aos principais partidos presidenciais – PT e PSDB – na escolha dos candidatos à presidência. Neste artigo, procura-se contribuir para a literatura colocando em questionamento diagnósticos recentes com respeito à polarização do sistema partidário presidencial. De acordo com a hipótese da polarização, a competição eleitoral entre PT e PSDB levou a uma crescente divisão do eleitorado em dois blocos claramente diferenciados e polarizados. Argumentamos que esta hipótese se apoia em bases teóricas e empíricas frágeis. Não obstante a crescente importância dos sentimentos partidários na determinação do comportamento dos eleitores no pleito presidencial, os resultados das análises descritivas e modelos estatísticos multivariados com base nos surveys do Estudo Eleitoral Brasileiro (Eseb) realizados nos anos de 2002, 2006, 2010 e 2014 demonstram que não há evidências de que tal movimento estaria associado a um aumento da polarização partidária de massa. Pelo contrário, observamos que as diferenças ideológicas e de opinião entre petistas e tucanos são de pequena monta e, além disso, encontramos evidências de uma crescente convergência ideológica entre os vários segmentos do eleitorado ao longo do tempo.

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Biografia do Autor

André Borges, Universidade de Brasília

Possui graduação em Administração pela Universidade Federal da Bahia, mestrado em Administração pela Universidade Federal da Bahia e doutorado em Ciência Política - University of Oxford. Atualmente é professor adjunto (DE) do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília com atuação nas áreas de partidos políticos, eleições e geografia do voto, federalismo e política subnacional, e Estado, burocracia e políticas públicas.

Robert Vidigal, State University of New York

Atualmente é doutorando na State University of New York - Stony Brook. É mestre e bacharel em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB). Pesquisador com ênfase em Comportamento Político e Eleitoral, Opinião Pública, Psicologia Política, Economia Política, Metodologias Quantitativa e Experimental.

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Publicado

2018-04-23

Como Citar

BORGES, A.; VIDIGAL, R. Do lulismo ao antipetismo? Polarização, partidarismo e voto nas eleições presidenciais brasileiras. Opinião Pública, Campinas, SP, v. 24, n. 1, p. 53–89, 2018. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8652276. Acesso em: 4 dez. 2021.

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