Ideologia, sofisticação política e voto no Brasil

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Palavras-chave:

Eleições, Ideologia, Sofisticação política, Teoria espacial do voto

Resumo

A teoria espacial do voto parte do pressuposto de que eleitores diante de dois ou mais candidatos escolherão aquele que estiver mais próximo de suas preferências. O primeiro objetivo deste artigo é testar esse pressuposto para as eleições presidenciais no Brasil entre 2002 e 2014. Para isso utilizamos os dados do Estudo Eleitoral Brasileiro e as técnicas de escalonamento. Os resultados apontam que a probabilidade de um eleitor votar no candidato que está mais próximo dele do ponto de vista ideológico é extremamente alta. O segundo objetivo do artigo é verificar se esse resultado se sustenta a despeito do nível de sofisticação política do eleitor. Isto é, testamos a hipótese de que eleitores pouco informados tomariam as suas decisões a partir de elementos não espaciais (não ideológicos). Os resultados contrariam essa ideia. Eleitores pouco sofisticados do ponto de vista político também escolhem os candidatos que estão mais próximos deles.

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Biografia do Autor

Mauricio Yoshida Izumi, Fundação Getúlio Vargas - Centro de Política e Economia do Setor Público.

Fundação Getúlio Vargas - Centro de Política e Economia do Setor Público. São Paulo (SP), Brasil.

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Publicado

2019-08-26

Como Citar

IZUMI, M. Y. . Ideologia, sofisticação política e voto no Brasil. Opinião Pública, Campinas, SP, v. 25, n. 1, p. 29–62, 2019. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8656282. Acesso em: 2 dez. 2021.

Edição

Seção

Artigos