Relações entre coletivos com as Jornadas de Junho

Autores

Palavras-chave:

Coletivos, Jornadas de Junho, Antipartidarismo.

Resumo

Este artigo aborda organizações políticas denominadas coletivos e suas relações com o ciclo de protestos conhecido como Jornadas de Junho de 2013. Na pesquisa exploratória foram entrevistados membros de 21 coletivos da cidade de Teresina e sistematizadas informações de 725 páginas de coletivos cadastradas na rede social Facebook. Os resultados indicam que os coletivos foram criados principalmente nos últimos seis anos, sendo que membros de alguns deles conheceram a forma de organização política do tipo coletivo depois das Jornadas. Além dessa relação, os coletivos criticam partidos políticos e organizações tradicionais pela presença de hierarquias e ineficiência, críticas também presentes nas Jornadas. Justamente para se contraporem a esse modelo de organização política, alguns coletivos defendem práticas mais autônomas e horizontais. Para que se entenda a emergência de organizações após os protestos, são retomadas reflexões de teóricos dos movimentos sociais. O texto contribui com os estudos sobre mobilizações sociais ao analisar legados das Jornadas, como o incentivo aos coletivos.

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Biografia do Autor

Olívia Cristina Perez, Universidade Federal do Piauí

Doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (FFLCH/USP).

                     

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Publicado

2019-10-07

Como Citar

PEREZ, O. C. Relações entre coletivos com as Jornadas de Junho . Opinião Pública, Campinas, SP, v. 25, n. 3, p. 577–596, 2019. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8658119. Acesso em: 30 nov. 2021.

Edição

Seção

Artigos