Banner Portal
A reprodução simbólica das desigualdades entre mulheres e homens no Brasil
PDF

Palavras-chave

Representações sociais
Violência simbólica
Gênero
Espaço público
Espaço privado

Como Citar

SCHABBACH, Letícia Maria. A reprodução simbólica das desigualdades entre mulheres e homens no Brasil. Opinião Pública, Campinas, SP, v. 26, n. 2, p. 323–350, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8661075. Acesso em: 28 maio. 2024.

Resumo

Este artigo trata de representações coletivas (Durkheim, 1996) ou representações sociais (Moscovici, 2003) com recorte de gênero (Scott, 1986) sobre assuntos concernentes aos espaços público e privado (Saffioti, 1999; Fougeyrollas-Schwebel, 2009). A partir de compilação e análise de dados da Pesquisa Nacional “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado” (Fundação Perseu Abramo, 2010), almejou-se: a) conhecer a difusão geral das representações; b) comparar as opiniões femininas e masculinas, em suas semelhanças e diferenças. As representações reforçam o papel da mulher como encarregada do trabalho reprodutivo e não remunerado e do homem como provedor do lar e atuante no espaço público, como demonstra, por exemplo, a desconfiança manifestada pelos entrevistados sobre a capacidade político-administrativa das mulheres e sobre a habilidade masculina em executar tarefas domésticas.

PDF

Referências

BANDEIRA, L. M.; PRETURLAN, R. B. “As pesquisas sobre uso do tempo e a promoção da igualdade de gênero no Brasil”. In: FONTOURA, N.; ARAÚJO, C. (Org.). Uso do tempo e gênero. Brasília: Secretaria Especial de Política para Mulheres; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, p. 43-59, 2016.

BARAJAS, M. L. P. L. Avanços na América Latina na medição e valoração do trabalho não remunerado realizado pelas mulheres. In: FONTOURA, N.; ARAÚJO, C. (Org.). Uso do tempo e gênero. Brasília: Secretaria Especial de Política para Mulheres; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, p. 21-42, 2016.

BAUER, M. A popularização da ciência como imunização cultural: a função de resistência das representações sociais. In: GUARESCHI, P.; JOVCHELOVITCH, S. (Org.). Textos em representações sociais. Petrópolis: Vozes, p. 223-257, 1994.

BAUER, M.; GASKELL, G. (Ed.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2008.

BIROLI, F. O público e o privado. In: MIGUEL, L. F.; BIROLI, F. Feminismo e política: uma introdução. São Paulo: Boitempo, 2014.

BOURDIEU. P. O poder simbólico. Lisboa: Difel, 1989.

_______. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1992.

_______. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. BRASIL. Lei Federal nº 9.504, de 30 de setembro de 1997. Estabelece normas para eleições. Brasília: Presidência da República, 1997.

_______. Lei Federal nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2006.

BRASIL. TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Resultados das eleições 2016. Brasília, 2016. Disponível em: http://www.tse.jus.br/ . Acesso em: 13 mar. 2019.

_______. TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Resultados das eleições 2018. Brasília, 2018. Disponível em: . Acesso em: http://www.tse.jus.br/ 13 mar. 2019.

CASTRO, M. G. Temas persistentes e enfoques emergentes resgatando o conceito de patriarcado em gênero. In: ARILHA, M., et al. (Org.). Diálogos transversais em gênero e fecundidade: articulações contemporâneas. Campinas: Librum Editora, Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), 2012. Disponível em: http://www.abep.org.br/publicacoes/index.php/livros. Acesso em: 19 jan. 2019.

CHARAUDEAU, P. Discurso das mídias. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2013. CONCEIÇÃO, A. C. L. “Teorias feministas: da questão da mulher ao enfoque de gênero”. Revista Brasileira de Sociologia da Emoção, João Pessoa, vol. 8, nº 24, p. 738-757, dez. 2009.

DEDECCA, C. S. Uso do tempo e gênero: uma dimensão da desigualdade socioeconômica brasileira. In: ARILHA, M., et al. (Org.). Diálogos transversais em gênero e fecundidade: articulações contemporâneas. Campinas: Librum Editora, Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), 2012. Disponível em: http://www.abep.org.br/publicacoes/index.php/livros. Acesso em: 20 jan. 2019.

DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974. _______. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

FONTOURA, N.; ARAÚJO, C. Introdução. In: FONTOURA, N.; ARAÚJO, C. (Org.). Uso do tempo e gênero. Brasília: Secretaria Especial de Política para Mulheres; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, p. 17-20, 2016.

FOUCAULT, M. Dits et ecrits. Paris: Galimard, 1984.

_______. Arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987.

_______. História da sexualidade I: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988. FOUGEYROLLAS-SCHWEBEL, D. Trabalho doméstico. In: HIRATA, H., et al. (Org.). Dicionário crítico do feminismo. São Paulo: Editora Unesp, p. 257-262, 2009.

FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO; SESC – Serviço Social do Comércio. Pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”. São Paulo: 2010. Disponível em: http://fpadados.fpabramo.org.br/. Acesso em: 10 de fevereiro de 2018.

HIRATA, H., et al. (Org.). Dicionário crítico do feminismo. São Paulo: Editora Unesp, 2009.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Suplemento Outras Formas de Trabalho. Brasília, 2019a.

_______. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral. Tabelas 4093 e 5429. Brasília, 1º trimestre de 2019b.

JODELET, D. La representación social: fenómenos, concepto y teoria. In: MOSCOVICI, S. (org.). Psicologia social. Barcelona: Paidós, 1985.

_______. Représentations sociales: un domaine en expansion. In: JODELET, D. (org.). Les représentations sociales. Paris: PUF, 1989.

JOVCHELOVITCH, S. Vivendo a vida com os outros: intersubjetividade, espaço público e representações sociais. In: GUARESCHI, P.; JOVCHELOVITCH, S. (Org.). Textos em representações sociais. Petrópolis: Vozes, 1994.

_______. Os contextos do saber: representações, comunidade e cultura. Petrópolis: Vozes, 2011.

LEVIN, J.; FOX, J. A. Estatística para ciências humanas. São Paulo: Prentice Hall, 2004.

MARX, K. Prefácio. In: MARX, K. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Expressão Popular, [1859] 2008.

MIGUEL, L. F. “Perspectivas sociais e dominação simbólica: a presença política das mulheres entre Iris Marion Young e Pierre Bourdieu”. Revista Sociologia e Política, Curitiba, vol. 18, nº 6, p. 25-49, jun. 2010.

MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1994.

MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis: Vozes, 2003.

MOTTA, D. A. “Ditadura, direitos humanos e dilemas da Justiça de Transição: representações sociais e discursos sobre a Comissão Nacional da Verdade nas revistas semanais de informação geral”. Tese de Doutorado em Sociologia, Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2018.

PATEMAN, C. O contrato sexual. São Paulo: Paz e Terra, 1993.

PORTO, M. S. G. “Crenças, valores e representações sociais da violência”. Sociologias, Porto Alegre, nº 16, p. 250-273, 2006.

PORTO, M. S. G. Sociologia da violência. Brasília: Verbana, 2010.

POSTER, M. Foucault, marxismo e história. Buenos Aires: Paidós, 1987.

SAFFIOTI, H. A síndrome do pequeno poder. In: AZEVEDO, M. A.; GUERRA, V. N. A. (Org.). Crianças vitimizadas: a síndrome do pequeno poder. São Paulo: Iglu Editora, 1989.

_______. “Já se mete a colher em briga de marido e mulher”. São Paulo em Perspectiva, São Paulo, vol. 13, nº 4, p. 82-91, 1999.

_______. Gênero, patriarcado, violência. Fundação Perseu Abramo, São Paulo, 2004.

SCOTT, J. W. “Gender: a useful category of historical analysis”. American Historical Review, vol. 91, nº 5, p. 1.053-1.075, dez. 1986.

SPINK, M. J. “O conceito de representação social na abordagem psicossocial”. Cadernos de Saúde Pública, vol. 3, nº 9, p. 300-308, jul.-set. 1993.

VALA, J. Representações sociais e psicologia social do pensamento quotidiano. In: VALA, J.; MONTEIRO, M. B. (Org.). Psicologia social. 4ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000.

VENTURI, G.; GODINHO, T. (Org.). Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado: uma década de mudanças na opinião pública. São Paulo: Fundação Perseu Abramo; Edições Sesc, 2013.

WEBER, M. Economía y sociedad. México: Fondo de Cultura Económica, 1969. WIEVIORKA, M. Violence en France. Paris: Seuil, 1999.

WORLD BANK GROUP. “Data: proportion of seats held by women in national parliaments (%)”, 2018. Disponível em: https://data.worldbank.org/indicator/SG.GEN.PARL.ZS?locations=ZJ&view=chart. Acesso em: 2 jun. 2019.

A Opinião Pública utiliza a licença do Creative Commons (CC), preservando assim, a integridade dos artigos em ambiente de acesso aberto.

Downloads

Não há dados estatísticos.