Algoritmos e autonomia

relações de poder e resistência no capitalismo de vigilância

Autores

Palavras-chave:

Capitalismo de vigilância, Privacidade, Democracia, Algoritmos, Neoliberalismo

Resumo

O fenômeno do monitoramento automatizado das experiências privadas, realizado por algoritmos inteligentes, com a intenção de induzir certos comportamentos, é conceituado na literatura como capitalismo de vigilância. O artigo acrescenta alguns elementos a essa teoria a partir dos seguintes argumentos: a falta de transparência dos algoritmos impossibilita inferir com precisão sua capacidade de modulação comportamental; a formação das preferências é um processo complexo e maleável, que abrange estratégias de resistência e subversão; para que a dominação ocorra, é necessário que haja conformidade dos dominados, o que não se observa a partir de marcos normativos em vigência; por fim, o exercício do poder é diferente de sua capacidade de influência. A partir desses pontos, conclui-se que é necessário regular o próprio funcionamento dos algoritmos como complemento à proteção de dados pessoais.

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Biografia do Autor

Adriana Veloso Meireles, Universidade de Brasília

Doutorado em Ciência Política pela Universidade de Brasília.

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Publicado

2021-05-13

Como Citar

MEIRELES, A. V. . Algoritmos e autonomia: relações de poder e resistência no capitalismo de vigilância. Opinião Pública, Campinas, SP, v. 27, n. 1, p. 28–50, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8665620. Acesso em: 27 set. 2021.

Edição

Seção

Artigos