Os partidos políticos em formação no Brasil pós-2013 e a retórica anti-establishment político

Autores

Palavras-chave:

Formação de partidos políticos, Populismo, Movimentos anti-establishment político, Programa de partidos, Jornadas de Junho

Resumo

O objetivo deste artigo é saber se, entre julho de 2013, período imediatamente posterior às Jornadas de Junho, e junho de 2017, no Brasil, houve movimentos com retórica anti-establishment buscando tornarem-se partidos políticos. A avaliação foi empírico-descritiva, usando os programas dos movimentos. Para conceituar a retórica de um movimento como anti-establishment político, foram utilizados os três critérios de Abedi (2004). Concluímos que havia, no Brasil, no período estudado, partidos em formação que possuíam retórica anti-establishment político. O artigo pode contribuir tanto para o estudo da retórica anti-establishment político no Brasil quanto para o estudo dos partidos políticos em formação, um objeto que recebe pouca atenção acadêmica.

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Biografia do Autor

Pâmela de Rezende Côrtes, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutorando em andamento em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais na Faculdade de Direito e Ciências do Estado. Belo Horizonte (MG), Brasil.

André Matos de Almeida Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutorando em andamento em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais na Faculdade de Direito e Ciências do Estado. Belo Horizonte (MG), Brasil.

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Publicado

2021-05-13

Como Citar

CÔRTES, P. de R. .; OLIVEIRA, A. M. de A. . Os partidos políticos em formação no Brasil pós-2013 e a retórica anti-establishment político. Opinião Pública, Campinas, SP, v. 27, n. 1, p. 127–153, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8665628. Acesso em: 27 set. 2021.

Edição

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Artigos