A reativação da direita no Brasil

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Palavras-chave:

Direita, Despolarização, Ativação das predisposições ideológicas, Bolsonaro, Eleições de 2018

Resumo

Qual a estrutura das predisposições ideológicas do eleitorado brasileiro e como elas são afetadas pelas estratégias das diferentes forças políticas? O artigo busca mostrar, com base em dados do Datafolha, que houve uma continuidade entre o observado logo após a redemocratização de 1988 e os 30 anos que se seguiram, a saber, a preferência pela direita por parte da maioria relativa do eleitorado em surveys de autolocalização no espectro ideológico. Depois, utilizando a noção teórica de ativação, o artigo testa, com base em pesquisas do Eseb, a hipótese de que, entre 2006 e 2014, teria havido uma tendência de desativação das predisposições ideológicas. A conclusão é que o lulismo despolarizou a disputa política e coube a Bolsonaro, com uma postura radical, reativar o conservadorismo na eleição de 2018, quando o campo da direita chegou a reunir 45% dos eleitores

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Biografia do Autor

André Singer, Universidade de São Paulo

Professor Titular pela Universidade de São Paulo na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - Ciência Política. São Paulo (SP), Brasil.

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Publicado

2022-03-25

Como Citar

Singer, A. . (2022). A reativação da direita no Brasil. Opinião Pública, 27(3), 705–729. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8668732

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