Do silêncio angustiante aos sentidos desviantes: subversão discursiva na microesfera do exercício de poder

Autores

  • Camila Targino e Souza Universidade Federal de Pernambuco
  • Cristina Teixeira Vieira de Melo Universidade Federal de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.20396/rua.v15i1.8638869

Palavras-chave:

Fotografia oitocentista. Sociedade escravocrata. Formação-imaginária. Resistência discursiva

Resumo

A coleção Francisco Rodrigues de fotografia, pertencente à Fundação Joaquim Nabuco, é conhecida por guardar a memória visual das famílias dos senhores-de-engenho do Brasil do final do século XIX e início do século XX. A partir da análise de uma imagem específica desta coleção, em que uma mulher branca com uma criança negra no colo é retratada no jardim externo de um sobrado, mostramos o confronto discursivo travado entre a sociedade patriarcal escravocrata e outros discursos que lhe eram opositores, como o discurso abolicionista e o da insubordinação feminina. Para tal análise, agenciamos em especial o conceito de formação imaginária (PÊUCHEUX, 1993) e o de resistência (FOUCAULT, 2006). Também, a partir de uma abordagem discursiva, discorremos sobre a própria materialidade fotossensível usada para imprimir a imagem em foco, no caso, uma albumina. Esta tecnologia perseguiu o desejo de registrar com precisão o “real” e atestar a verdade das coisas, em consonância com o pensamento de base iluminista. Ao final, a análise mostra que o diálogo entre a materialidade mesma da fotografia e a representação imagética aponta para uma série de confrontos discursivos que desestabilizam a ordem vigente.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Camila Targino e Souza, Universidade Federal de Pernambuco

Doutoranda em Comunicação pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM), Universidade Federal de Pernambuco-UFPE.

Cristina Teixeira Vieira de Melo, Universidade Federal de Pernambuco

Doutora em Lingüística pelo IEL – Unicamp. Professora adjunta I do Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM), Universidade Federal de Pernambuco-UFPE.

Referências

ALTHUSSER, L. Ideologia e aparelhos ideológicos de estado. Lisboa: Editora Presença/Martins Fontes, 1980.

ARIÈS, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro-RJ: Editora Livros Técnicos e Científicos, 1981.

FOUCAULT, M. As palavras e as coisas. São Paulo-SP: Editora Martins Fontes, 2002.

FOUCAULT, M. Genealogia e poder. In: Microfísica do poder. São Paulo-SP: Editora Graal, 2006, p.15-39.

FREYRE, G. Sobrados e mucambos. São Paulo-SP: Editora Global, 2003.

FRIZOT, M. Automated drawing: the truthfulness of the calotype. In: A New History of Photography. Milão: Könemann, 1998.

PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. São Paulo-SP: Editora da Unicamp, 1993.

REILLY, J. The albumen & salted paper book: the history and practice of photographic printing, 1840 -1895. Rochester: Light Impressions Corporation, 1980.

SILVA, F. Freyre & FOUCAULT: Casa-grande e senzala como microfísica do poder. In: Revista de história e estudos culturais n. 3. Uberlândia-MG: Universidade Federal de Uberlândia, 2006.

Downloads

Publicado

2015-07-22

Como Citar

SOUZA, C. T. e; MELO, C. T. V. de. Do silêncio angustiante aos sentidos desviantes: subversão discursiva na microesfera do exercício de poder. RUA, Campinas, SP, v. 15, n. 1, p. 15–28, 2015. DOI: 10.20396/rua.v15i1.8638869. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8638869. Acesso em: 29 jun. 2022.

Edição

Seção

Estudos

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)