Vestígios do silêncio

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rua.v25i1.8655725

Palavras-chave:

Discurso urbano, Censura, Gueto, Ausculta.

Resumo

Neste teatro textual, refletimos sobre o silêncio em três atos: 1. consideramos a significância do silêncio, a partir de Orlandi e em cotejo com outros autores; 2. analisamos o editorial do Lampião da esquina, com o objetivo de compreender como o si dos sujeitos homossexuais é falado em relação ao gueto e como esse dizer constitui resistência à censura moral imposta pela língua-de-espuma da ditadura militar; 3. evocamos a
significância do vestígio (trace) em Ricoeur e da ausculta em Heidegger, para especular sobre a escuta analítica em relação à temporalidade do silêncio. Para nós, o silêncio pode ser interpretado como a terceira margem do Rio Lethe (Ideologia), em relação à base material da língua (primeira margem), em que se dão os processos discursivos (segunda margem).

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Biografia do Autor

Iago Moura Melo dos Santos, Universidade Estadual de Santa Cruz

Mestrando em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Letras: Linguagens e Representações (PPGLLR)
da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

Maurício Beck, Universidade Estadual de Santa Cruz

Professor e pesquisador no PPGLLR da UESC. Doutor e Mestre em Letras pelo PPGL da UFSM, com
pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem pela UFF. 

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Publicado

2019-06-26

Como Citar

SANTOS, I. M. M. dos .; BECK, M. . Vestígios do silêncio. RUA, Campinas, SP, v. 25, n. 1, 2019. DOI: 10.20396/rua.v25i1.8655725. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8655725. Acesso em: 26 nov. 2022.

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Estudos

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