A ficcionalização dos espaços urbano e rural e a construção do ethos gaúcho na canção “Desgarrados”

Palavras-chave: Semiótica discursiva, Ethos, Cancioneiro gaúch, Desgarrados.

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar como se constrói a representação dos espaços urbano e rural na canção “Desgarrados”, de Mário Barbará e Sérgio Napp, e depreender o ethos gaúcho atrelado a tal representação. Para tanto, utilizam-se preceitos da teoria semiótica discursiva e de estudos sobre ethos. Também contribuem as considerações de Pesavento (1989, 1993) sobre formação identitária e de Vecchi (2017) sobre a memória e a relação do sujeito com o passado. A análise aponta que as redes figurativas estabelecidas na canção e o ethos melancólico construído pelo enunciador evidenciam um desejo do gaúcho supostamente deslocado das suas origens de retomar um passado que, na realidade, jamais existiu da forma como é cantado, demonstrando, por isso, uma atração por um tempo e um lugar mais imaginados do que vividos. 

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Biografia do Autor

Elisane Regina Cayser, Universidade de Passo Fundo

Professora do Curso de Letras da Universidade de Passo Fundo.

         
Luciana Maria Crestani , Universidade de Passo Fundo

 Professora no Curso de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo.

         

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Publicado
2019-11-06
Como Citar
Cayser, E. R., & Crestani , L. M. (2019). A ficcionalização dos espaços urbano e rural e a construção do ethos gaúcho na canção “Desgarrados”. RUA, 25(2), 469-488. https://doi.org/10.20396/rua.v25i2.8657423
Seção
Estudos