A língua que “une” é a mesma que divide

discriminação e marginalização de catadores de materiais recicláveis a partir das suas relações com a Língua Portuguesa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rua.v26i1.8659567

Palavras-chave:

Análise de Discurso, Língua, Língua portuguesa, Catadores de materiais recicláveis

Resumo

Tomando o aporte teórico-metodológico da Análise de Discurso francesa (AD), o objetivo deste artigo é observar como, ao se colocarem enquanto falantes da língua Portuguesa, um grupo de catadores de materiais recicláveis de Cruz Alta- RS se relaciona com a língua. Acredita-se que, ao tratarem acerca das suas relações com a língua, eles também estarão discusivizando sobre sua identidade e, isso, permitirá uma reflexão sobre suas formas de subjetivação. De maneira geral, as sequências discursivas analisadas vieram ratificar a ideia de que a língua atua como um divisor que hierarquiza os falantes, numa conjuntura em que os desaparelhados linguisticamente são fadados a processos de discriminação e a posições marginalizadas na sociedade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rubiamara Pasinatto, Faculdades João Paulo II

Doutora em Letras pela Universidade Federaldo Rio Grande do Sul. Professora das Faculdades João Paulo II e do Ensino Público Estadual do Rio Grande do Sul.

Referências

ALTHUSSER, L. (1918). Aparelhos Ideológicos de Estado. In: ALTHUSSER, L. Aparelhos Ideológicos de Estado: nota sobre os aparelhos ideológicos de Estado (AIE). 6. ed. Tradução de Walter José Evangelista e Maria Laura Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1992.

BOURDIEU, P. O poder simbólico. Tradução Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil S. A., 1989.

COURTINE, Jean-J. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. Tradução Cristina de Campos Velho, Didier Martin, Maria Lúcia Meregalli, et al. São Carlos, SP: EdUFSCar, 2014.

DORNELES, E. Discurso sobre a língua e a constituição da língua da escola. In: SCHONS, C. R.; CAZARIN, E. A. Língua, escola e mídia: en(tre)laçando teorias, conceitos e metodologias (Org.). Passo Fundo-RS: Universidade de Passo Fundo, 2011, p. 34-47.

GNERRE, Maurizio. Linguagem, escrita e poder. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

GUIMARÃES, E. Semântica do Acontecimento: um estudo enunciativo da designação. Campinas, SP: Pontes, 2002.

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução Tomás Tadeu da Silva, Guacira Lopes Louro. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2011.

HENRY, Paul. Construções relativas e articulações discursivas. Cadernos de estudos linguísticos. In: ORLANDI, E. P.; GERALDI, João Wanderley. (Org.). 19. ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1990. p. 43-64.

ORLANDI, E. Terra à vista: o discurso do confronto: velho e novo mundo. São Paulo: Cortez; Campinas, SP: Unicamp, 1990.

ORLANDI, E. A Desorganização cotidiana. In: ORLANDI, E. Escritos: percursos sociais e sentidos nas cidades. Campinas, SP: Labeurb, 2001, p. 3-10. Disponível em: https://www.labeurb.unicamp.br/portal/pages/pdf/escritos/Escritos1.pdf. Acesso em: 01 abr. 2020.

ORLANDI, E. Identidade lingüística escolar. In: SIGNORINI, Inês (Org.). Lingua(gem) e identidade. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2002.

ORLANDI, E. Discurso e texto: formulação e circulação dos sentidos. 2. ed. Campinas: Pontes, 2005.

ORLANDI, E. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. 6. ed. Campinas, SP: Unicamp, 2007. DOI: https://doi.org/10.7476/9788526814707

ORLANDI, E. Lexicografia discursiva. In: ORLANDI, E. P. Língua e conhecimento linguístico: para uma história das ideias. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2013, p. 101-119.

PASINATTO, R. Relações de trabalho e imaginário de língua na constituição dos sujeitos catadores de materiais recicláveis. Orientação Ana Zandwais. 2019. 299f. Tese (Doutorado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019.

PÊCHEUX, M.; FUCHS, C. A propósito da Análise Automática do Discurso: atualização e perspectivas (1975). In: GADET, F.; HAK, T. (Org.). Por uma análise automática do discurso: uma Introdução à obra de Michel Pêcheux. 2. ed. Tradução Bethânia S. Mariani et al. Campinas, SP: Unicamp, 1990, p.163-179.

PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução Eni P. Orlandi et al. 2. ed. Campinas, SP: Unicamp, 1995.

PÊCHEUX, M.O discurso: estrutura ou acontecimento? Tradução Eni P. Orlandi. São Paulo: Pontes, 2008.

RANCIÈRE, J. O desentendimento: política e filosofia. Rio de Janeiro: Editora 34, 1996.

ZANDWAIS, A. Subjetividade, sentido e linguagem: desconstruindo o mito da homogeneidade da língua. In: ZANDWAIS, A. (Org.). História das ideias: diálogos entre linguagem, cultura e história. Passo Fundo, RS: UPF, 2012a, p. 175-191.

ZANDWAIS, A. Reconfigurando a Noção de Formação Discursiva: deslocamentos produzidos a partir de um contraponto. Revista Leitura - Programa de Pós Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas, n. 50, v. 2, p. 41-59, 2012b DOI: https://doi.org/10.28998/2317-9945.2012v2n50p41-59

ZANDWAIS, A. Como caracterizar uma nação: entre domínios históricos e discursivos. In: PETRI, Verli; DIAS, Cristiane (Org.). Análise de Discurso em Perspectiva. Teoria, método e análise. Santa Maria, RS: Editora UFSM, 2013.

Downloads

Publicado

2020-05-12

Como Citar

PASINATTO, R. A língua que “une” é a mesma que divide: discriminação e marginalização de catadores de materiais recicláveis a partir das suas relações com a Língua Portuguesa. RUA, Campinas, SP, v. 26, n. 1, 2020. DOI: 10.20396/rua.v26i1.8659567. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8659567. Acesso em: 1 jul. 2022.

Edição

Seção

Estudos