Um olhar discursivo-desconstrutivo sobre representações na Carta Aberta “Contra o genocídio da população indígena”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rua.v26i2.8663427

Palavras-chave:

Representação, Indígena, Carta aberta, Análise do discurso

Resumo

Nosso objetivo é problematizar as representações sobre os povos indígenas sul-mato-grossenses que atravessam o discurso da Carta Aberta ‒ Contra o genocídio da população indígena. A Carta Aberta é um recurso utilizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas, do Instituto Federal de São Paulo, para denunciar conflitos sofridos pelas etnias indígenas. O corpus desta pesquisa reúne representações sobre o indígena, do poder hierárquico, a partir de recortes discursivos do texto. Pautamos nosso olhar no arcabouço teórico da Análise do Discurso de origem francesa (ORLANDI, 2003; CORACINI, 2007), por meio do método arqueogenealógico (FOUCAULT, 2014; GREGOLIN, 2004) e da perspectiva discursivo-desconstrutiva (CORACINI, 2010). Os povos indígenas brasileiros passaram por muitos processos excludentes desde o período colonial, entretanto, essas marcas ainda são encontradas na sociedade atual.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Vania Maria Lescano Guerra, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", UNESP de Araraquara. Pós-doutorado em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas. Docente permanente do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Três Lagoas, e do Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagens, campus de Campo Grande. 

Graziele Ferreira dos Santos, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Mestre em Letras na área de Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Três Lagoas.

Referências

BUTLER, Judith; SPIVAK, Gayatri C. Quem canta o Estado-nação? Língua, política, pertencimento. Trad. Vanderlei J. Zacchi e Sandra G. Almeida. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2018.

CANCLINI, Néstor G. Culturas híbridas: Estratégias para entrar e sair da modernidade. Trad. Heloísa P. Cintrão; Ana R. Lessa. 4. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013.

CORACINI, Maria J. A celebração do outro na constituição da identidade. In: Organon: Discurso, língua e memória, v. 17, n. 35, 2003, p. 202-220.

CORACINI, Maria J. A celebração do outro: arquivo, memória e identidade: línguas (materna e estrangeira), plurilinguismo e tradução. Campinas: Mercado de Letras, 2007.

CORACINI, Maria J. Discurso e escrit(ur)a: entre a necessidade e a (im)possibilidade de ensinar. In: ECKERT-HOFF, Beatriz M.; CORACINI, Maria J. Escrit(ur)a de si e alteridade no espaço papel–tela: alfabetização, formação de professores, línguas materna e estrangeira. Campinas: Mercado de Letras, 2010, p. 17-50.

CORACINI, Maria J. Representações de professor: entre o passado e o presente. In: Revista Reflexão e Ação, Santa Cruz do Sul, v. 23, n. 1, p. 132-161, 2015.

COURTINE, Jean-Jacques. Definição de orientações teóricas e construção de procedimentos em Análise do Discurso. Trad. Flávia Clemente de Souza e Márcio Lázaro Almeida da Silva. Policromias, ano I, p. 14-35, 2016.

DERRIDA, Jacques. Anne Dufourmantelle convida Jacques Derrida a falar da hospitalidade. Trad. Antonio Romane. São Paulo: Escuta, 2003.

DOSSIÊ NEABI. 2016. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/0B81yGKhIihI3QVlhazlVZ3RQTEE/view. Acesso em: 17.03.2019 às 19h.

FERREIRA, Maria C. L. O quadro atual da Análise de Discurso no Brasil: um breve preâmbulo. In: FERREIRA, Maria C. L; INDURSKY, Freda. (Org.). Michel Pêcheux e a Análise do Discurso: uma relação de nunca acabar. São Carlos: Claraluz, 2007. p. 39-46.

FOUCAULT, Michel. Os anormais. Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

FOUCAULT, Michel O Cuidado com a verdade. Ética, sexualidade, política. Trad. E. Monteiro; I. Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Trabalho original publicado em 1984), 2004.

FOUCAULT, Michel Arqueologia das ciências e história dos sistemas de pensamento. Organização e seleção dos textos de Manoel B. da Motta. Trad. Elisa Monteiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005. p. 82-118. (Coleção Ditos e escritos II).

FOUCAULT, Michel A arqueologia do saber. 8. ed. Trad. Luiz F. Neves. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

GOMES, Mércio P. Os índios e o Brasil: passado, presente e futuro. São Paulo: Contexto, 2012. 304 p.

GREGOLIN, Maria do R. Foucault e Pêcheux na construção da análise do discurso: diálogos e duelos. São Carlos: Claraluz, 2004.

GRIGOLETTO, Marisa. A constituição do sentido em teorias de leitura e a perspectiva desconstrutivista. In: ARROJO, Rosemary (Org.). O Signo desconstruído: implicações para a tradução, a leitura e o ensino. 2. edição. Campinas: Pontes, 2003. p. 93-97.

GUERRA, Vânia M. L. O indígena de Mato Grosso do Sul: práticas identitárias e culturais. São Carlos: Pedro & João, 2010.

GUERRA, Vânia M. L. Indígenas e identidade: um olhar discursivo sobre a luta pela terra. In: ROSA, Andréa M.; MARQUES, Cíntia N.; SOUZA, Claudete C.; DURIGAN, Marlene (Orgs.). Povos indígenas: reflexões interdisciplinares. São Carlos: Pedro & João, 2012. p. 43-68.

LEITE, Ana M. de C. Cadeias referenciais em textos do gênero carta aberta: um projeto didático para a educação de jovens e adultos. 2014. 168 f. Tese (Doutorado em Estudos Linguísticos) ‒ Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2014.

LUCIANO, Gersem dos S. O índio brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006.

NEVES, Maria H. de M. Gramática de usos de português. São Paulo: Editora Unesp, 2000.

ORLANDI, Eni P. Recortar ou segmentar? In ORLANDI, Eni P. Linguística: Questões e Controvérsias. Série Estudos. Uberaba: Faculdades Integradas de Uberaba, 1984. p. 09-26

ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 5. ed. Campinas: Pontes, 2003.

ORLANDI, Eni P. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. 6 ed. Campinas: Unicamp, 2007.

PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tra. Eni Orlandi, Lourenço Chacon, Manoel Corrêa e Silvana Serrani. Campinas: Editora da Unicamp, 2009. [Trad. Les verites de La Palice, 1975].

PORTFÓLIO DE FORMADORES: Relações étnico-raciais. 2017. Disponível em: https://ifsp.edu.br/acoes-e-programas/9-reitoria/310-nucleo-de-estudos-afro-brasileiros-e-indigenas-neabi. Acesso em: 17.03.2019 às 19h04min.

SAWAIA, Bader. As artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

SKLIAR, Carlos. Sobre a anormalidade e o anormal – notas para um julgamento (voraz) da normalidade. In: Pedagogia (improvável) da diferença: e se o outro não estivesse aí? Trad. Giane Lessa. Rio de Janeiro: DP&A, 2003, p. 151-193.

Downloads

Publicado

2020-11-30

Como Citar

GUERRA, V. M. L. .; SANTOS, G. F. dos . Um olhar discursivo-desconstrutivo sobre representações na Carta Aberta “Contra o genocídio da população indígena”. RUA, Campinas, SP, v. 26, n. 2, p. 631–652, 2020. DOI: 10.20396/rua.v26i2.8663427. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8663427. Acesso em: 6 dez. 2022.

Edição

Seção

Estudos