João da loca

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Palavras-chave:

João da loca, Poesia

Resumo

Grito do morro ecoa:

És tu, João da loca?

“João da loca enlouqueceu cedo”,

tecem as boas línguas

João da loca é raiz que se esparrama pelo vento,

é criação de minha cabeça, afirmo-me

Da loca João fez morada,

do mel, bebida,

do gafanhoto, comida

João brasileiro e bíblico

misturou desilusão e fé num saco grande

e pegou a estrada sem rumo

João da loca amou mais que Vinicius

De amor é feita a base de sua itinerância

Prometeu amor zeloso a si e à mãe natureza

Loco Juan, Juan loca

João e sua loucura são a infinitude e a dureza,

a chama e a imortalidade.

Seu amor nada tem que dizer aos estúpidos sábios

João da loca é a poesia em estado bruto por puríssima vontade,

João da loca povoa minha ilusão infantil.

Infantis são a loca, João e eu

Compartilhantes do mesmo pão

João repete em pouquinhos decibéis,

trezentas vezes

João não precisa de língua e de pai

Eles nada lhe deram

Não lhe deram hauser

Sua loca é sua casa e seu mundo, o único que existe

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Biografia do Autor

Shara Lopes, IFPI

É professora de Língua Portuguesa do IFPI e doutora em Linguística pela UNICAMP. Como poeta, foi publicada em portais como Geleia Total, Revista Torquato e site Psipólis. Gerencia o perfil do instagram @mulheresescritoras.

Referências

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Publicado

2022-07-01

Como Citar

LOPES, S. . João da loca. RUA, Campinas, SP, v. 28, n. 1, 2022. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8670305. Acesso em: 9 dez. 2022.

Edição

Seção

Artes