Mulheres negras em movimento: rizomas da negritude e do feminismo?

  • Clovis Carvalho Britto Universidade de Brasília

Resumo

Tendo como guia os itinerários do movimento de mulheres negras do Rio de Janeiro e São Paulo entre 1985 e 1995, a pesquisa A organização das feministas negras no Brasil, da socióloga Núbia Regina Moreira, permite a reconstrução e a problematização de instigantes facetas da formação do feminismo negro brasileiro. Na verdade, para além das discussões dos movimentos e feminismos no plural, o trabalho permite visualizarmos, através de uma acurada etnografia repleta de entrevistas, levantamentos documentais e imersão dentre punhos negros e corações feministas, dois dos principais interlocutores do movimento de mulheres negras: os movimentos negros e feministas. Movimentos que contribuíram para a formatação da democracia no Brasil e para a instituição de novos matizes nas representações sociais e políticas de mulheres negras militantes no feminismo, nos partidos políticos e/ou em organizações nãogovernamentais; dois caudalosos rios que desembocaram na foz apresentada pela pesquisadora. Em outras palavras, os caminhos traçados não deixaram a cor passar em branco ao demonstrar aspectos ainda pouco estudados no que concerne à profissionalização da militância.

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Biografia do Autor

Clovis Carvalho Britto, Universidade de Brasília
Pós-Doutor em Estudos Culturais no Programa Avançado de Cultura Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), Linha de Pesquisa Arte, Cultura e Patrimônio. Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e Mestrando em Museologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Realizou os cursos de aperfeiçoamento em Estudos Aprofundados de Museologia pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Portugal (ULHT) e em Gestão Contemporânea da Cultura (DUO, OEA, UNESCO).

Referências

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Publicado
2016-04-14
Como Citar
Britto, C. C. (2016). Mulheres negras em movimento: rizomas da negritude e do feminismo?. Cadernos Pagu, (38), 4332-440. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8645046
Seção
Resenhas