Políticas sociais, participação comunitária e a desprofissionalização do care

  • Bila Sorj Universidade Federal do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Care. Gênero. Políticas sociais.

Resumo

Este artigo se propõe a examinar o sentido que o trabalho comunitário adquire no contexto de mudanças do modelo de políticas sociais, no modo de governar, ocorridas no Brasil sobretudo a partir de 2000. Atribuindo às comunidades, i.e., às mulheres, o papel ativo de co-responsáveis pelo desenvolvimento e bem-estar social local, examina-se o programa Mulheres da Paz, no Rio de Janeiro, implantado nas favelas da cidade como alternativa às formas de enfrentamento da violência urbana historicamente praticadas no país. Analisa-se a incidência da ação do Estado na desprofissionalização do trabalho de cuidado das mulheres junto aos jovens “em situação de risco”. Conclui-se que os novos modos de governar não são processos lineares, mas complexos e ambivalentes, envolvendo constantes disputas entre gestores, operadoras e o público alvo sobre os objetivos, conteúdos e significados dessa política social.

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Biografia do Autor

Bila Sorj, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Professora do Departamento de Sociologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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Publicado
2016-06-01
Como Citar
Sorj, B. (2016). Políticas sociais, participação comunitária e a desprofissionalização do care. Cadernos Pagu, (46), 107-128. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8645368
Seção
Apresentação