Ôrí e as vozes e o olhar da diáspora

cartografia de emoções políticas

Autores

Palavras-chave:

Filme Ôrí– documentário, Raquel Gerber, Beatriz Nasciemnto, Mulher negra

Resumo

Análise do documentário Ôrí (direção Raquel Gerber, 1989). Elaborado durante 11 anos, entre 1977 e 1988, o filme assume o ponto de vista de uma intelectual e militante negra, Beatriz Nascimento, uma presença inaugural no âmbito do documentário brasileiro, que narra a partir de suas ideias e entrelaça os acontecimentos relacionados aos movimentos sociais dos negros no Brasil. O estudo contextualiza a realização do filme e o aborda por dois vieses: primeiro, por meio dos efeitos de sentido da voz de Beatriz Nascimento e sua performance conceitual, centrada nas ideias de transmigração e quilombo; segundo, pela noção de montagem cartográfica, que comprime a longa duração da experiência da realização do filme e imprime um forte sentimento de lugar, sendo esse lugar os espaços atravessados pelo ser e estar negro no mundo.

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Biografia do Autor

Gilberto Alexandre Sobrinho, Universidade Estadual de Campinas

Professor do Departamento de Multimeios, Cinema e Comunicação, Instituto de Artes pela Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

 

Referências

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Publicado

2021-02-19

Como Citar

ALEXANDRE SOBRINHO, G. . Ôrí e as vozes e o olhar da diáspora: cartografia de emoções políticas. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 60, p. e206002, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8664558. Acesso em: 11 maio. 2021.

Edição

Seção

Dossiê