Resumen
En el año en que se cumplen seis décadas de su fundación (1965-2025), la Acción Católica Rural (ACR) sigue ofreciendo epifanías valiosas sobre la resistencia religiosa en contextos autoritarios. Este artículo analiza cómo el movimiento, idealizado por Dom Helder Camara en el Nordeste brasileño tras el golpe de 1964 (que en 2025 marcó 61 años), actuó como experiencia intersticial, entre la jerarquía eclesiástica y las demandas campesinas. Fundamentado en el análisis documental del periódico Grito no Nordeste, con los conceptos de hibridismo y zonas de contacto, se demuestra cómo la ACR reinterpretó el catolicismo post-Vaticano II, articulando el ritual religioso con la organización sindical. En un contexto de represión militar y pluralización de voces políticas, el movimiento operó en las brechas del sistema, mediando tradiciones católicas y reivindicaciones secularizadas. Su legado desafía las dicotomías convencionales entre lo religioso y lo político, ofreciendo claves para entender las prácticas contemporáneas de fe comprometida. El análisis revela cómo estos espacios pueden generar innovación social incluso bajo regímenes autoritarios.
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