Linhagens historiográficas contemporâneas por uma nova síntese histórica

Autores

  • José Jobson de Andrade Arruda Universidade de São Paulo

Palavras-chave:

Historiografia. Política cultural – História. Inglaterra – História social

Resumo

O centro nervoso deste ensaio são as múltiplas faces que a interpretação historiográfica pode assumir, motivadas sempre pelas injunções incoercíveis do próprio movimento da História. A começar pela hegemonia interpretativa inspirada no modelo criado por Fernand Braudel, nascido nos anos 50 deste século, e o poder historiográfico supremo que daí emergiu. Segue-se a ruptura do modelo braudeliano com o nascimento da Nova História nos anos 70, movimento este nitidamente atrelado ao colapso das totalidades, dos impérios, da colonização, e da emergência de pequenas racionalidades expressas nas minorias, dos negros, dos índios, das mulheres, das crianças, das opções religiosas ou das preferências sexuais, em suma, do cotidiano, uma elevação da pequena história ao estatuto da grande história. O atrelamento da História aos temas e procedimentos da antropologia é uma decorrência incontornável da Nova História, o que coloca em xeque a especificidade de seu procedimento metodológico e do acercamento de seu objeto no quadro das ciências humanas. Busca-se, finalmente, vislumbrar os cenários futuros para os destinos da História, antevendo-se a possibilidade de uma nova síntese que enlace a velha e a nova história, que seja inclusive e não excludente, que reconheça os méritos da história estrutural e da micro-história, da história econômica e da história cultural, que associe análise e descrição, conceitos e signos, ideologia e representação, razão e sensibilidade. Para tanto, a título de exercício intelectual, faz-se uma incursão nos domínios da história social inglesa da era vitoriana, mas especificamente na história social do crime, centrada nos romances policiais de Conan Doyle, para demonstrar que é possível atingir o âmago dessa sociedade a partir da literatura noir, do romance criminal, da mesma forma que se poderia fazê-lo através das máquinas ou do movimento operário, configurando-se a História como um cristal cuja lapidação revela sempre novas facetas e cujos limites são infinitos.

Abstract

This article deals with the historiography of the last five centuries. More precisely, it shows the birth of the New History in the seventies its subordination to the anthropological methods and discuss the future destination of History as a new synthesis that interlaces old and new history, economic and cultural approachs, analysis and description, reflection and narration, concepts and signs, sense and sensibility.

Key-words: Historiography. Cultural policy – History. England – Social history

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Biografia do Autor

José Jobson de Andrade Arruda, Universidade de São Paulo

Possui graduação em História (1966) e doutorado em História Moderna (1973), ambos pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professor sênior do departamento de História e do Programa de Pós-graduação em História Econômica da USP e professor titular aposentado do Instituto de Economia da UNICAMP. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Moderna e Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: História do Brasil, História Moderna e Contemporânea com ênfase em História Econômica e Historiografia.

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Publicado

2016-02-11

Como Citar

ARRUDA, J. J. de A. Linhagens historiográficas contemporâneas por uma nova síntese histórica. Economia e Sociedade, Campinas, SP, v. 7, n. 1, p. 175–191, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8643150. Acesso em: 28 jan. 2023.

Edição

Seção

Artigos