O dever de memória do Estado no processo de justiça de transição no Brasil

  • Alessandra Lopes Camargo Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Memória política. Dever de memória. Justiça de transição. Direitos humanos. Anistia.

Resumo

Este artigo reflete sobre a relação do Estado brasileiro com seu dever de memória no processo de justiça de transição. Analisa-se a luta pela anistia, a lei decorrente desse processo e seus efeitos sobre as memórias políticas na transição e na consolidação da democracia. Discorre-se sobre como esta lei manteve as memórias privatizadas e o Estado omisso de seu dever de memória. Reflete-se, também, sobre as recentes mudanças nas ações estatais que parecem recuperar o dever de memória do Estado no processo de justiça de transição no Brasil.

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Biografia do Autor

Alessandra Lopes Camargo, Universidade Estadual de Campinas
Graduada em Ciências Sociais e Mestranda em Ciência Política na Universidade Estadual de Campinas - Unicamp.

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Publicado
2016-10-04
Como Citar
Camargo, A. L. (2016). O dever de memória do Estado no processo de justiça de transição no Brasil. Ideias, 7(1), 249-270. https://doi.org/10.20396/ideias.v7i1.8649519
Seção
Seção livre