As políticas climáticas e seus desafios em megacidades

padrões de governança em Pequim e São Paulo

Palavras-chave: Governança, Mudanças Climáticas, Políticas climáticas, Brasil, China.

Resumo

Grandes espaços urbanos, como são as megacidades, têm lidado com inúmeros problemas ambientais, que poderão ser acentuados ainda mais com o avanço da mudança no clima. Na década de 2000, Pequim e São Paulo aprovaram suas políticas climáticas em contextos bastante específicos. Isto é, o caminho até a aprovação e os avanços e barreiras posteriores reuniram diferentes motivações, ordens, focos e atores envolvidos. A aprovação de uma política climática é um momento específico de um longo processo. Desse modo, a capacidade de governança urbana para o enfrentamento das mudanças climáticas é uma das principais alternativas a serem negociadas em meio ao constante conflito de interesses. Este artigo visa abordar esses desafios para a efetividade, a partir de um aprofundamento nos padrões de governança dos dois casos, sugerindo algumas possibilidades e procurando responder à pergunta: o que garante a continuidade de uma política pública para o clima?

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Biografia do Autor

Alberto Matenhauer Urbinatti, Universidade de São Paulo

Doutorando em Saúde Pública, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Leila da Costa Ferreira, Universidade Estadual de Campinas

Professora titular do departamento de Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/UNICAMP).

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Publicado
2019-08-12
Como Citar
Urbinatti, A. M., & Ferreira, L. da C. (2019). As políticas climáticas e seus desafios em megacidades. Ideias, 10, e019001. https://doi.org/10.20396/ideias.v10i0.8656195
Seção
Dossiê: Relações Brasil-China

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