Diáspora brasileira de ciência, tecnologia e inovação

panorama, iniciativas auto-organizadas e políticas de engajamento

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/ideias.v11i0.8658500

Palavras-chave:

Diáspora ciêntifica, Migração internacional, Talentos

Resumo

O Brasil é um dos países com a maior taxa de imigrantes altamente qualificados vivendo na região da OCDE. Esta migração, mais recentemente chamada de diáspora, pode ter efeitos no desenvolvimento do país. Este trabalho foca em uma parte específica desta diáspora, os talentos na área de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) nos Estados Unidos e Reino Unido, e busca analisar seu volume, iniciativas auto-organizadas e políticas de engajamento do governo brasileiro. A utilização do termo diáspora para migração de pessoas altamente qualificadas evoluiu ao longo do tempo, indo da postura de brain drain para a percepção dos efeitos positivos da inserção dos talentos em redes de conhecimento internacionais. Os materiais utilizados foram: revisão da literatura especializada; análise de base de dados secundários (principalmente de censos demográficos); realização de entrevistas semiestruturadas com profissionais do Observatório das Migrações Internacionais e a realização de dois workshops com diasporados nos Estados Unidos e Reino Unido, junto com as Embaixadas em Washington e Londres, respectivamente. Há limitações para estimar o número de talentos da diáspora brasileira de CT&I, agravadas pela exclusão das questões sobre migração internacional do Censo 2020. As políticas mobilizadas pelo governo brasileiro são ainda embrionárias, ainda voltadas para mapeamento e engajamento genérico. As iniciativas da diáspora mapeadas possuem um grau relativo de organização, mas faltam mecanismos concretos para organizar e canalizar esse potencial da diáspora para políticas com um desenho de “alta resolução”, articulando a cooperação e o engajamento em torno de problemas nacionais específicos.

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Biografia do Autor

Ana Maria Carneiro, Universidade Estadual de Campinas

Professora colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica no Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas. Doutora em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas.

Ana Maria Nunes Gimenez, Universidade Estadual de Campinas

Pós-doutoranda na Universidade Estadual de Campinas, no Departamento de Política Científica e Tecnológica - DPCT/IG - com bolsa do PNPD CAPES fornecida pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento - INCT/PPED (IE/UFRJ). 

Cintia Denise Granja, United Nations University

Doutoranda no programa em Inovação, Economia e Governança para o Desenvolvimento na United Nations University - Maastricht Economic and Social Research Institute on Innovation and Technology. 

Elizabeth Balbachevsky, Universidade de São Paulo

Doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Livre docente e professora associada pelo Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo.

Flavia Consoni, Universidade Estadual de Campinas

Professora do Programa de Pós-graduação em Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas.

Victor Fidêncio Andretta, Universidade Estadual de Campinas

Graduando em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2020-05-25

Como Citar

CARNEIRO, A. M.; GIMENEZ, A. M. N.; GRANJA, C. D.; BALBACHEVSKY, E.; CONSONI, F.; ANDRETTA, V. F. Diáspora brasileira de ciência, tecnologia e inovação: panorama, iniciativas auto-organizadas e políticas de engajamento. Ideias, Campinas, SP, v. 11, p. e020010, 2020. DOI: 10.20396/ideias.v11i0.8658500. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ideias/article/view/8658500. Acesso em: 30 out. 2020.