As Ilhas e a expansão da cultura e tecnologia da cana-de-açúcar no Atlântico nos séculos XV a XIX

Autores

  • Alberto Vieira Centro de Estudos de História do Atlântico

DOI:

https://doi.org/10.20396/lobore.v1i1.227

Palavras-chave:

Tecnologia do açúcar, História do açúcar, Cultura do açúcar.

Resumo

No século XV, A Madeira surge como a primeira experiência de ocupação portuguesa em que se ensaiaram produtos, técnicas e estruturas institucionais, que foram, depois, utilizados em larga escala noutras ilhas, litoral africano e americano. O arquipélago madeirense foi o centro de irradiação dos sustentáculos da nova sociedade e economia do mundo atlântico: primeiro os Açores, depois os demais arquipélagos e regiões costeiras onde os portugueses aportaram. A Madeira marcou a História da Cana-de-açúcar entre os séculos XV e XX. Todavia, esta cultura não se manteve como uma constante da história da ilha, notando-se um hiato no século XVIII. A cultura da cana-de-açúcar se expandiu, tornando-se importante fator de animação da agricultura e da indústria madeirense. A Madeira esteve na linha da frente das inovações tecnológicas. Nos séculos XV e XVI acresce a função de distribuição da cultura e técnica em todo o espaço atlântico. Para finais do século XIX e princípios do seguinte, ficaria reservado papel pioneiro no ensaio de algumas técnicas e sistemas de fabrico de açúcar e aguardente que revolucionaram todo o processo industrial.

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Biografia do Autor

Alberto Vieira, Centro de Estudos de História do Atlântico

Doutor Historiador. Coordenador do Centro de Estudos de História do Atlântico. Funchal [Ilha da Madeira].

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Publicado

2015-03-27

Como Citar

Vieira, A. (2015). As Ilhas e a expansão da cultura e tecnologia da cana-de-açúcar no Atlântico nos séculos XV a XIX. Labor E Engenho, 1(1), 1–20. https://doi.org/10.20396/lobore.v1i1.227

Edição

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Artigos