"Empurrador de canoa não ganhava nada não". Os vareiros do rio Grajaú e a circulação de mercadorias, pessoas e sonhos

  • Alan Kardec Gomes Pachêco Filho Universidade Estadual do Maranhão
Palavras-chave: Rio Grajaú, Navegação, Circulação, Vareiro, Memória

Resumo

Reflete-se sobre o rio Grajaú, sua navegação e importância para a circulação de pessoas e mercadorias no Maranhão a partir de fragmentos de memória dos vareiros, O rio Grajaú ainda que de difícil navegação, tornou-se o caminho para o norte e corredor natural de exportação e importação de todo o centro sul e sertão maranhense, expandindo a zona de comércio da região até o norte de Goiás e o sul do Pará. Com o aparecimento de caminhões, a partir de 1950, utilizados para o transporte de mercadorias na região, houve uma tendência da navegação fluvial diminuir seu ritmo, principalmente no verão, quando o rio deixou de ser navegado por grandes embarcações. As águas do rio Grajaú não transportaram somente produtos. Como agente de ligação, o rio carregou um dos principais personagens dessa circulação, os vareiros. Esses trabalhadores do rio, além de empurrarem embarcações com varas, cheias de mercadorias, ora a favor ora contra a correnteza do rio, compartilharam experiências em dois ambientes muito distintos: o litoral e o sertão.

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Biografia do Autor

Alan Kardec Gomes Pachêco Filho, Universidade Estadual do Maranhão
Professor Adjunto do Departamento de História e Geografia da Universidade Estadual do Maranhão [UEMA].

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ENTREVISTAS:

Alan Kardec Gomes Pachêco, Grajaú [MA].

Darci Mendonça, Vitória do Mearim [MA].

Deodato Martins, Grajaú [MA].

José Camilo, Grajaú [MA].

Edivalson Silva, Grajaú [MA].

José Rodrigues, Vitória do Mearim [MA].

Libéria Lima Sousa (Libéria Capão), Grajaú [MA].

Luiz Alves de Arruda, Grajaú [MA].

Nego Brito, Vitória do Mearim [MA].

Virgulino Guajajaa, Grajaú [MA].

Wilson Assunção Cunha, São Luís [MA].

Publicado
2015-06-24
Como Citar
Pachêco Filho, A. K. G. (2015). "Empurrador de canoa não ganhava nada não". Os vareiros do rio Grajaú e a circulação de mercadorias, pessoas e sonhos. Labor E Engenho, 9(2), 55-69. https://doi.org/10.20396/lobore.v9i2.8635574
Seção
Artigos