Caminhar na Trilha Norte-Sul: infraestrutura verde entre o Parque da Água Branca e o Horto Florestal em São Paulo [SP]

  • Cíntia Miua Maruyama UFPR - Universidade Federal do Paraná Pontal do Paraná [PR] http://orcid.org/0000-0002-7438-4305
  • Maria Assunção Ribeiro Franco Professora Titular da FAU USP –Departamento de Projeto São Paulo [SP]
Palavras-chave: Infraestrutura verde. Caminhada. Pavimentos brandos. Parques. Ilhas de calor urbanas.

Resumo

A infraestrutura verde propõe uma visão alternativa para as cidades com urbanização cinza tradicional. Dentre os diversos benefícios propiciados por esta abordagem estão a amenização dos efeitos das ilhas de calor urbanas, o manejo sustentável das águas da chuva e a melhoria dos transportes não motorizados. Por outro lado, calçadas dotadas de arborização e com dimensões adequadas fornecem condições de conforto urbano ao pedestre. O presente artigo faz parte do Projeto FAPESP Nº 2015/10597-0 Infraestrutura Verde para a Resiliência Urbana às Mudanças Climáticas da Cidade de São Paulo, sob responsabilidade de Maria de Assunção Ribeiro Franco.   Neste artigo, investiga-se a suposição de que bons passeios públicos possam estimular a prática da caminhada, pois exercícios físicos regulares são importantes para a saúde da população e, dentre as diversas modalidades possíveis, a caminhar é uma forma econômica de se exercitar e ao alcance da maioria das pessoas. Os objetivos deste trabalho foram: analisar as condições das calçadas e os hábitos relativos ao hábito da caminhada, assim como os locais onde isto é efetivado; os costumes referentes ao uso das praças e parques; avaliar os efeitos das ilhas de calor no trecho em estudo. A metodologia envolveu a análise da adequação física e da arborização urbana das calçadas, num trecho entre o Parque da Água Branca e a região do Horto Florestal em São Paulo/SP. Por meio da aplicação de questionários foi verificada a percepção dos usuários em relação aos assuntos mencionados. De forma geral, os resultados da pesquisa com usuários indicaram que 35% dos entrevistados não se sente bem no ato de caminhar e a principal alegação apresentada foi a inadequação das calçadas. Por outro lado, 80% dos usuários sinalizaram haver mais disposição para caminhar se houver mais arborização nas vias. Os resultados da pesquisa confirmaram a hipótese em determinados trechos e há a necessidade de realizar melhorias a fim de adequar as calçadas e a arborização para incentivo das caminhadas. Também foi detectada a necessidade de aumentar a segurança das praças da área de estudo, bem como criar mais opções de lazer e esporte para a população. Por fim, foram observadas ilhas de calor na área de estudo, as quais coincidiram com os locais onde a arborização foi avaliada como crítica. Possibilidades de mitigação dos efeitos destas ilhas de calor dentro de uma infraestrutura verde incluem plantio maciço de árvores e outros estratos de vegetação, adoção de tetos verdes e pavimentos brandos nas vias.

Biografia do Autor

Cíntia Miua Maruyama, UFPR - Universidade Federal do Paraná Pontal do Paraná [PR]

Arquiteta e Urbanista pela FAU USP em 2001

Mestre em Engenharia Urbana pela UEM/PR em 2013

Professora Assistente da Universidade Federal do Paraná/PR, no Centro de Estudos do Mar - CEM

Maria Assunção Ribeiro Franco, Professora Titular da FAU USP –Departamento de Projeto São Paulo [SP]

Arquiteta e Urbanista, Livre Docente pela FAU USP

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Publicado
2017-09-23
Como Citar
Maruyama, C. M., & Franco, M. A. R. (2017). Caminhar na Trilha Norte-Sul: infraestrutura verde entre o Parque da Água Branca e o Horto Florestal em São Paulo [SP]. Labor E Engenho, 11(3), 355-373. https://doi.org/10.20396/labore.v11i3.8649714
Seção
Artigos