A vegetação urbana a serviço do conforto térmico

uma proposta para um bairro metropolitano de São Paulo, Brasil

Palavras-chave: Projeto de arborização de cidades, Cobertura vegetal, Temperatura local, Infraestrutura verde, Ilha de calor, Sucessão ecológica urbana.

Resumo

Cidades têm sido destacadas pela elevada contribuição no aquecimento global, sendo a carência de áreas verdes um dos principais fatores. A vegetação promove melhoria ambiental e auxilia na regulação térmica, sendo assim um elemento importante no planejamento urbanístico. O objetivo desse trabalho é apresentar uma proposta de arborização para um bairro na cidade de São Paulo voltada para melhoria térmica. Foi medido o índice de cobertura vegetal do bairro e então foi proposto um projeto de arborização que aumentasse a cobertura vegetal da área. Como resultados, foi verificado 18% de índice de cobertura vegetal atual. O projeto de aumento de cobertura vegetal utilizou áreas públicas livres e a criação de novos espaços com a mudança da dinâmica da mobilidade do bairro. Utilizou-se espécies de diferentes estágios sucessionais para garantir o sombreamento das superfícies pavimentadas e conforto térmico em curto, médio e longo prazo. A proposta atingiu mais que o dobro (37%) da cobertura vegetal do bairro em relação ao atual. Outros trabalhos demonstram que o aumento da vegetação auxilia na redução da temperatura local e tem utilizado essa abordagem para o planejamento urbanístico. Conclui-se que a arborização urbana é uma estratégia funcional para melhorar o conforto térmico em áreas urbanas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cleandho Marcos de Souza, Universidade de São Paulo

Biólogo e Mestrando em Arquitetura e Urbanismo na área de Paisagem e Ambiente, subárea de Sistemas da Paisagem pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

         
Laís Padilha Leite, Universidade de São Paulo

Mestranda no Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Atua na área de concentração Paisagem e Ambiente na linha de pesquisa Sistemas da Paisagem.

     
Priscilla Perini, Universidade de São Paulo

Arquiteta Paisagista. Aluna especial do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

         
Laíssa Karzmierczak, Universidade de São Paulo

Arquiteta. Aluna especial do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

         

Referências

Akbari, H. (1992). Cooling our Communities. A Guidebook on Tree Planting and Light-Colored Surfacing. (H. Akbari, S. Davis, S. Dorsano, J. Huang, & S. Winnett, Orgs.). Washington, D.C.: U.S. Environmental Protection Agency. Recuperado de https://escholarship.org/uc/item/98z8p10x.

Alvares, C. A., Stape, J. L., Sentelhas, P. C., De Moraes Gonçalves, J. L., & Sparovek, G. (2013). Koppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, 22(6), 711–728. https://doi.org/10.1127/0941-2948/2013/0507.

Andreatta, V., Chiavari, M., & Rego, H. O. (2009). Rio de Janeiro e a sua orla: história, projetos e identidade carioca. Coleção Estudos Cariocas, 12(1), 1–16. Recuperado de http://portalgeo.rio.rj.gov.br/estudoscariocas/download/2418_O Rio de Janeiro e sua orla.pdf.

Armson, D., Stringer, P., & Ennos, A. R. (2012). The effect of tree shade and grass on surface and globe temperatures in an urban area. Urban Forestry & Urban Greening, 11(3), 245–255. https://doi.org/10.1016/J.UFUG.2012.05.002.

Ballinas, M., & Barradas, V. L. (2016). The Urban Tree as a Tool to Mitigate the Urban Heat Island in Mexico City: A Simple Phenomenological Model. Journal of Environment Quality, 45(1), 157. https://doi.org/10.2134/jeq2015.01.0056.

Barros, H. R., & Lombardo, M. A. (2016). A ilha de calor urbana e o uso e cobertura do solo em São Paulo-SP. Geousp – Espaço e Tempo, 20(1), 160–177. https://doi.org/10.1111/j.1744-7429.2009.00583.x.

Benedict, M. A., & McMahon, E. T. (2006). Green Infrastructure - Linking Landscapes and Communities. Washington, D.C.: Island Press.

Bonzi, R. S. (2015). O Zoneamento Ambiental Geomorfológico como Método para Planejar a Infraestrutura Verde em Áreas Densamente Urbanizadas. Revista Labverde, 10, 62–82.

Burgess, J., Harrison, C. M., & Limb, M. (1988). People, Parks and the Urban Green: A Study of Popular Meanings and Values for Open Spaces in the City. Urban Studies, 25(6), 455–473. https://doi.org/10.1080/00420988820080631.

Centro Regional de Informação das Nações Unidas. (2018). Relatório da ONU mostra população mundial cada vez mais urbanizada, mais de metade vive em zonas urbanizadas ao que se podem juntar 2,5 mil milhões em 2050. Recuperado 20 de dezembro de 2018, de https://www.unric.org/pt/actualidade/31537-relatorio-da-onu-mostra-populacao-mundial-cada-vez-mais-urbanizada-mais-de-metade-vive-em-zonas-urbanizadas-ao-que-se-podem-juntar-25-mil-milhoes-em-2050.

Gartland, L. (2008). Heat Island - Understanding and mitigating heat in urban areas. London: Earthscan.

Grey, G. W., & Deneke, F. J. (1978). Urban Forestry. New York: John Wiley.

Isaac, M., & van Vuuren, D. P. (2009). Modeling global residential sector energy demand for heating and air conditioning in the context of climate change. Energy Policy, 37(2), 507–521.

Kageyama, P. Y., & Castro, C. F. de A. (1989). Sucessão secundária, estrutura genética e plantações de espécies arbóreas nativas. Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais, 42, 83–93.

Li, X., Zhang, C., Li, W., Ricard, R., & Meng, Q. (2015). Assessing street-level urban greenery using Google Street View and a modified green view index. Urban Forestry & Urban Greening, 14(3), 675–685. https://doi.org/10.1016/j.ufug.2015.06.006.

Livesley, S. J., McPherson, G. M., & Calfapietra, C. (2016). The Urban Forest and Ecosystem Services: Impacts on Urban Water, Heat, and Pollution Cycles at the Tree, Street, and City Scale. Journal of Environment Quality, 45(1), 119. https://doi.org/10.2134/jeq2015.11.0567.

Locatelli, M. M., Arantes, B. L., Polizel, J. L., Silva-Filho, D. F. da, & Franco, M. de A. R. (2018). Panorama atual da cobertura arbórea da cidade de São Paulo. Revista Labverde, 9(1), 29–48.

Lombardo, M. A. (1990). O Processo de Urbanização e a Qualidade Ambiental: Efeitos Adversos do Clima. Revista Brasileira de Geografia, 52(4), 161–166.

Lopes, W., Matos, K., Leal Junior, J., Vieira, G., & Costa, N. (2014). A presença de Roberto Burle Marx na cidade de Teresina, Piaui. Cadernos de Arquitetura, 21(29), 79–101. https://doi.org/10.5752/P.23161752.2014v21n29p62.

Marengo, J. A. (2014). O futuro clima do Brasil. Revista USP, (103), 25. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9036.v0i103p25-32.

McPherson, E. G., Nowak, D., Heisler, G., Grimmond, S., Souch, C., Grant, R., & Rowntree, R. (1997). Quantifying urban forest structure, function, and value: the Chicago urban forest project. Urban Ecosystems, 1, 49–61. https://doi.org/10.1023/A:1014350822458.

Milano, M. S., & Dalcin, E. C. (2000). Arborização de vias públicas. Rio de Janeiro: Light.

MIT Senseable Lab. (2017). Treepedia. Recuperado 20 de novembro de 2018, de http://senseable.mit.edu/treepedia.

Pinheiro, M. B. (2017). Plantas para Infraestrutura Verde e o Papel da Vegetação no Tratamento das Águas Urbanas de São Paulo: Identificação de Critétios para Seleção de Espécies. Universidade de São Paulo.

Pon, B. (1999). Pavement Albedo. Recuperado 20 de novembro de 2018, de https://web.archive.org/web/20070829153207/http://eetd.lbl.gov/HeatIsland/Pavements/Albedo/.

São Paulo. Portaria SVMA N° 61 de 2011, Pub. L. No. N. 61 de 2011, 49 (2011). Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo.

São Paulo. (2015). Manual Técnico de Arborização Urbana (3°). São Paulo. Recuperado de https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/meio_ambiente/MARBOURB.pdf.

Schatz, J., & Kucharik, C. J. (2014). Seasonality of the urban heat island effect in Madison, Wisconsin. Journal of Applied Meteorology and Climatology, 53(10), 2371–2386. https://doi.org/10.1175/JAMC-D-14-0107.1.

Schubert, T. H. (1979). Trees for urban use in Puerto Rico and the Virgin Islands. Institute of Tropical Forestry (1o ed, Vol. 2). Porto Rico: U.S. Department of Agriculture. https://doi.org/10.1002/aheh.19740020603.

Seiferling, I., Naik, N., Ratti, C., & Proulx, R. (2017). Green streets − Quantifying and mapping urban trees with street-level imagery and computer vision. Landscape and Urban Planning, 165, 93–101. Recuperado de https://doi.org/10.1016/j.landurbplan.2017.05.010.

Silva, W. M., Zorzanelli, J. P. F., Moreau, J. S., Abreu, K. M. P. de, & Kunz, S. H. (2017). Estrutura e sucessão ecológica de uma comunidade florestal urbana no sul do Espírito Santo. Rodriguesia, 68(2), 301–314. https://doi.org/10.1590/2175-7860201768202.

Taha, H., Akbari, H., & Rosenfeld, A. (1989). Vegetation Canopy Micro-Climate: A Field-Project in Davis, California. Journal of Climate and Applied Meteorology, 12. https://doi.org/10.1007/978-3-319-46448-0.

Trowbridge, P. J., & Bassuk, N. L. (2004). Trees in the Urban Landscape: Site Assessment, Design, and Installation. Hoboken: Wiley & Sons.

Yang, L., Qian, F., Song, D. X., & Zheng, K. J. (2016). Research on Urban Heat-Island Effect. Procedia Engineering, 169, 11–18. https://doi.org/10.1016/j.proeng.2016.10.002.

Publicado
2019-11-09
Como Citar
Souza, C. M. de, Leite, L. P., Perini, P., & Karzmierczak, L. (2019). A vegetação urbana a serviço do conforto térmico. Labor E Engenho, 13, e019014. https://doi.org/10.20396/labore.v13i0.8654619
Seção
Artigos