Processo Inovativo na Indústria de Software de Joinville (SC): uma análise a partir do marco teórico neo-schumpeteriano

Autores

  • André Tortato Rauen Universidade Estadual de Campinas
  • André Tosi Furtado Universidade Estadual de Campinas
  • Sílvio Antônio Ferraz Cário Universidade Federal de Santa Catarina

DOI:

https://doi.org/10.20396/rbi.v8i2.8648987

Palavras-chave:

Inovação. Sistemas locais de inovação. Indústria de software.

Resumo

Considerando a necessidade de melhor compreender os processos de geração e difusão de inovações em países em desenvolvimento, este trabalho foi confeccionado com o objetivo de analisar a dinâmica inovativa da indústria de software geograficamente circunscrita pelos entornos do município de Joinville (SC). Para tanto, utilizou-se como ferramenta de análise e descrição o arcabouço teórico neo-schumpeteriano de sistemas locais de inovação. A utilização desse arcabouço permitiu mapear as diferentes organizações e instituições de fomento à referida indústria local. Nesse sentido, permite-se falar em sistema local de inovação da indústria de software de Joinville. Contudo, como se constatou em entrevistas a firmas selecionadas, trata-se de um sistema ainda imaturo, no qual: 1) as firmas pouco interagem entre si e com a pesquisa acadêmica; 2) as leis locais de incentivo ao setor são desconhecidas; 3) o preço da mão de obra qualificada fundamenta em boa medida a competitividade das empresas locais. Mesmo ainda imaturo, o sistema de inovação identificado possui importantes produtores de software, pacote de significativa inserção nacional e internacional, elevado número de firmas atuantes no segmento de serviços de software e organizações de fomento setorial com relevantes potencialidades para o conjunto do tecido produtivo local.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

André Tortato Rauen, Universidade Estadual de Campinas

Economista formado pela UFSC, mestre e doutor em Política Científica e Tecnológica pela UNICAMP com estágio de pós-doutorado na Columbia University. Foi pesquisador no INMETRO, tecnologista no MCTI e subsecretário também no MCTI. Atualmente é coordenador de estudos em estratégias de crescimento das firmas no IPEA. Suas publicações concentram-se nas áreas de organização industrial, políticas de inovação e compras públicas para a inovação.

André Tosi Furtado, Universidade Estadual de Campinas

Concluiu o doutorado em Ciências Econômicas - Université de Paris I (Pantheon-Sorbonne) em 1983. Atualmente é Professor Titular do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas. Publicou 79 artigos em periódicos especializados e 101 trabalhos em anais de eventos. Possui 32 capítulos de livros e 3 livros publicados. 

Sílvio Antônio Ferraz Cário, Universidade Federal de Santa Catarina

Possui graduação em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1975), mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina (1991), mestrado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1979) e doutorado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas (1997). Atualmente é professor associado II da Universidade Federal de Santa Catarina. 

Referências

Albuquerque, E. “National systems of innovation and non-OECD countries: notes about a rudimentary and tentative ‘typology’”, Revista Brasileira de Economia Política, v.19, n.4(76), 1999.

Ashein, B. “Industrial districts as learning regions. A condition for prosperity?”, in Anais da Conference of the IGU Commission on Interdependent and Uneven Development: Global-Local Perspectives. Seoul, 1995.

Bell, R.M. “Learning and the accumulation of industrial technological capacity in developing countries”, in Fransman, M.; King K. (org.), Technological capability in the Third World. Londres: Macmillan, 1984.

Benko, G. Economia, espaço e globalização na aurora do século XXI. São Paulo: HUCITEC, 1996.

Benko, G. “El impacto de los tecnopolos en el desarrollo regional: una revisión crítica”, EURE, Santiago, v.24, n.73, p.55-80, 1998.

Breschi, M.; Malerba, F. “Sectoral innovation systems: technological regimes, Schumpeterian dynamics, and spatial boundaries”, in Edquist, C. (org.), Systems of innovation: technologies, institutions and organizations. Londres: Frances Pinter, 1997.

Campos, R. et al. “Aprendizagem por interação: pequenas empresas em sistemas produtivos e inovativos locais”, in Rede de pesquisa em sistemas produtivos e inovativos locais. UFRJ, 2002.

Campos, R.; Simioni, M. “Características da indústria de software em Joinville – Santa Catarina”, in Cario, S; Pereira, L; Schunemann, A. (org.), Características da estrutura de mercado e do padrão de concorrência de setores industriais selecionados de Santa Catarina. Florianópolis: Editora da UFSC, 2002.

Campos, R.; Cario, S.; Nicolau, J.A.; Vargas, G. “Aprendizagem por interação: pequenas empresas em sistemas produtivos e inovativos locais”, in Lastres, H.M.M. et al., Pequena empresa: cooperação e desenvolvimento local. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003.

Carlsson, B.; Jacobson, S. “Diversity creation and technological systems: a technological policy perspective”, in Edquist, C. (org.), Systems of innovation: technology, institutions and organizations. Londres: Frances Pinter, 1997.

Carlsson, B.; Stankiewicz, R. “Technological systems and industrial dynamics. Implications for firms and governments”, in Anais da International J.A. Schumpeter Conference, 1994.

Carlsson, B.; Stankiewicz, R. “On the nature function and composition of technological systems”, in Carlsson, B. (org.), Technological systems and economic performance. The case of factory automation. Dordrecht: Kluwer Academic Publisher, 1995.

Castells, M.; Hall, P. Tecnópolis del mundo: la formación de los complejos industriales del siglo XXI. Madri: Alianza Editorial, 1994.

Coenen, L.; Moodyson, J.; Asheim, B. “Proximities in a cross-border regional innovation system: on the knowledge dynamics of medical valley (DK/SE)”, in Anais do 4th Congress of Proximities Economics. Marseille, 2004.

Colombo, M.G.; Demastro, M. “How effective are technology incubators? Evidence from Italy”, Research Policy, v.31, p.1.103-1.122, 2002.

Cooke, P. “Regional innovation systems: an evolutionary approach”, in Braczyk et al. (org.), Regional innovation systems. Londres: UCL Press, 1996.

Cooke, P. Strategiees for regional innovation systems: learning transfer and applications. Viena: United Nations Industrial Development Organization, 2003.

Dosi, G. “Technological paradigms and technological trajectories”, Research Policy, v.11, 1982.

Edquist, C. “Systems of innovation approaches – Their emergence and characteristics”, in

Edquist, C. (org.), Systems of innovation: technologies, institutions and organizations. Londres: Frances Pinter, 1997.

“Empresas de tecnologia no norte de SC procuram profissionais capacitados”, Diário Catarinense, Economia. Florianópolis, 23 maio, 2005.

Freeman, C. Technology and economic performance: lesson from Japan. Londres: Frances Pinter, 1987.

Freeman, C. “Innovation in a new context”, STI Review, n.15, 1995.

Freeman, C.; Perez, C. “Strutural crises of adjustment, business cycles and investment behavior”, in Dosi et al. (org.), Technical change and economic theory. Londres: Frances Pinter, 1988.

Freire, E. “Inovação e competitividade: o desafio a ser enfrentado pela indústria de software”, Dissertação de Mestrado em Economia, Instituto de Economia, UNICAMP. Campinas, 2002.

Galípolo, G; Fernandes, D. “Notas para uma avaliação da influência de Marx em Douglas North”, in Anais da ANPEC. Natal, 2005.

Garcia, R; Roselino, J. “Uma avaliação da lei de informática e de seus resultados como instrumento indutor de desenvolvimento tecnológico e industrial”, Gestão e Produção, v.11, p.177-185, 2004.

Godin, B. “Science, accounting and statistics: the input-output framework”, Research Policy, v.36, p.1.388-1.403, 2007.

Hatzichronoglou, T. Revision of the high-technology sector and product classification. Paris: OCDE, 1997.

Herrera, A. Ciência e política na América Latina. México: Siglo XXI, 1971.

Hircsh-Kreinsen, H. “Low-technologies: a forgotten sector in innovation policy”, PROACT Conference Innovation Pressure. México, mar., 2006.

Hirsh-Kreinsen, H.; Jacobson, D.; Laestadius, S.; Smith, K. Low-tech industries and knowledge economy: state of the art and research challenges. PILOT Project. Oslo, 2003.

IBGE. Pesquisa de inovação tecnológica 2005. Rio de Janeiro, 2007.

IBGE. “Produto interno dos municípios: 2002-2005”, Contas nacionais. Rio de Janeiro, 2007, n.22.

IBGE. “Cidades”. Disponível em http://www.ibge.gov.br/cidadesat/default.php. Acesso em 4 de abril de 2008.

Katz, J. “Domestic technology generation in LDCs: a review of research findings”, in Katz, J. (org.), Technology generation in Latin-American manufacturing industries. Londres: Macmillam, 1987.

Katz, J.; Stumpo, G. “Regimes sectoriales, productividad y competitividad internacional”, Revista de la CEPAL, n.75, p.137-159, 2001.

Kline, S.; Rosenberg, N. “An overview of innovation”, in Landau, R.; Rosenberg, N., The positive sum strategy. Washington: National Academy Press, 1986.

Lall, S. “Technological learning in the Third World: some implications of technology exports”, in Stewart, F.; James J. (org.), The economics of new technologies in developing countries. Londres: Frances Pinter, p.157-179, 1982.

List, F. Sistema nacional de economia política. Cidade do México: FCE, 1979 (1841).

López, A.; Lugones, G. “Los sistemas locales en el escenario de la globalización”, Globalização e inovação localizada: experiências de sistemas locais no âmbito do Mercosul e proposições de políticas de C&T. Rio de Janeiro, Nota Técnica 15/98, 1998.

Lundvall, A. “Innovation as an interactive process: from user–producer interaction to the national system of innovation”, in Dosi, G., Technical change and economic theory. Columbia University Press, 1988.

Lundvall, A. National systems of innovation: towards a theory of innovation and interactive learning. Londres: Frances Pinter, 1992.

Lundvall, A. et al. National systems of production, innovation and competence building. Aalborg University, 2001.

Maleki, E. J. “Industrial location and corporate organization in high technology industries”, Economic Geography, v.61, n.4, p.345-369, 1985.

Maskell, P. Malmberg. “A localized learning and industrial competitiveness”, Cambridge Journal of Economics, v.2, n.23, 1999.

MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Secretaria do Desenvolvimento da Produção. Departamento de Micro, Pequenas e Médias Empresas.

Micro, pequenas e médias empresas: definições e estatísticas internacionais. Brasília, 2002.

Metcalfe, J. “Technology systems and technology policy in a evolutionary framework”, Cambridge Journal of Economics, v.19, n.1, p.25-46, 1995.

Mian, S.A. “The university business incubator: a strategy for developing new research/technology-based firms”, The Journal of High Technology Management Research, v.7, n.2, p.191-208, 1996.

Mian, S.A. “Assessing and managing the university technology business incubator: an integrative framework”, Journal of Business Venturing, v.12, p.251-285, 1997.

MPOG. “Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE 1.0”. Disponível em http://www.cnae.ibge.gov.br/estrutura.asp. Acesso em 3 de fevereiro de 2008.

Nelson, R. “The co-evolution of technology, industrial structure and supporting institutions”, Industrial and Corporate Change, v.3, n.1. Oxford University Press, 1994.

Nelson, R.; Mowery, D. “The global computer software industry”, in The sources of industrial leadership. Cambridge University Press, 1999.

Nelson, R.; Rosenberg, N. “Technical innovation and national system”, in Nelson, R., National innovation systems: a comparative analysis. Oxford University Press, 1993.

Nicolau, J.; Campos, R.; Barbosa, C.; Lins, H.; Cário, S. “Alta tecnologia em Santa Catarina: a nascente indústria de software”, in Vieira, P. (org.), A pequena produção e o modelo catarinense de desenvolvimento. Florianópolis: SEBRAE, 2002.

Nicolau, J.; Campos, R.; Cário, S. A indústria de software de Joinville: um estudo de caso de arranjo inovativo local. Relatório final da pesquisa. Florianópolis: NEITEC–UFSC, 2000.

North, D. Institutions, institutional change and economic performance. Cambridge University Press, 1990.

OCDE. National innovation systems. Paris, 1997.

OCDE. “Proposed standard practice for surveys on research and experimental development”, Frascati manual. Paris, 2002.

OCDE. Science, technology and industry scoreboard 2005. Paris, 2005.

Patel, P. K. Pavitt. “The nature and economic importance of national innovation systems”, STI Review, Paris, n.14, 1994.

Phan, P.H.; Siegel, D.S.; Wright, M. “Science parks and incubators: observations, synthesis and future research”, Journal of Business Venturing, v.20, p.165-182, 2005.

Pinho, M.; Côrtes, M.R.; Fernandes, A.C. “A fragilidade das empresas de base tecnológica em economias periféricas: uma interpretação baseada na experiência brasileira”, Ensaios FEE, v.23, n.1, p.135-162, 2002.

PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. “Atlas do desenvolvimento humano no Brasil”, 2003. Disponível em http://www.pnud.org.br/atlas/PR/Regioes_Metropilitanas_1.doc. Acesso em 21 de março de 2006.

PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. “Desenvolvimento humano e IDH”. Disponível em http://www.pnud.org.br/idh/. Acesso em 21 de março de 2008.

PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. “Pólos de exportação de software”, Computerworld, 413, Mercado, 21 jul., 2004.

Prefeitura Municipal de Joinville. Decreto n.3.598, de 17 de novembro de 1997.

Prefeitura Municipal de Joinville. Dados da arrecadação – 2004. Empresas desenvolvedoras de software, 2005.

Rocha, I.O. Industrialização de Joinville-SC: da gênese às exportações. Florianópolis: FIESC–CEDIN, 1997.

Rovère, R. “Paradigmas e trajetórias tecnológicas”, in Pelaez, V.; Szmrecsányi, T. (org.), Economia da inovação. São Paulo: HUCITEC, 2006.

Sábato, J.; Botana, N. “La ciencia e la tecnología en el desarrollo futuro de América Latina”, Revista de la Integración, p.15-36, 1968.

Salatti, R. “Flexibilização do trabalho em empresas de desenvolvimento de sistemas”, Dissertação de Mestrado em Política Científica e Tecnologia, UNICAMP. Campinas, 2005.

Simioni, M. “Processo de aprendizagem produtor – Usuário nas empresas de software no município de Joinville, Santa Catarina”, Dissertação de Mestrado em Economia, UFSC. Florianópolis, 2001.

SOFTEX. Perfil das empresas brasileiras exportadoras de software. DPCT–UNICAMP, SOFTEX, 2005.

SOFTEX–MIT. A indústria de software no Brasil – 2002: fortalecendo a economia do conhecimento. SOFTEX–MIT, 2003.

Stallivieri, F. “Dinâmica econômica e a inserção de inserção de micro e pequenas empresas em arranjos produtivos locais: o caso da eletrometal-mecânica na microrregião de Joinville/SC”, Dissertação de Mestrado em Economia, UFSC. Florianópolis, 2004.

Stefanuto, G. “O programa SOFTEX e a indústria de software no Brasil”, Tese de Doutorado em Política Científica e Tecnológica, UNICAMP. Campinas, 2004.

Steinmuller, W. “The US software industry: an analyses and interpretative history”, in Mowery, D., The international computer software industry. Oxford University Press, 1996.

Velasco e Cruz, S. “Teoria e história: notas críticas sobre o tema da mudança institucional em Douglas North”, Revista de Economia Política, v.23, n.2(90), 2003.

World Bank. “World economics indicators”. Disponível em http://web.worldbank.org/wbsite/external/datastatistics/0,,contentmdk:20899413~pagepk:64133150~pipk:64133175~thesitepk:239419,00.html. Acesso em 10 de março de 2008.

Downloads

Publicado

2010-03-22

Como Citar

RAUEN, A. T.; FURTADO, A. T.; CÁRIO, S. A. F. Processo Inovativo na Indústria de Software de Joinville (SC): uma análise a partir do marco teórico neo-schumpeteriano. Revista Brasileira de Inovação, Campinas, SP, v. 8, n. 2, p. 437–480, 2010. DOI: 10.20396/rbi.v8i2.8648987. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/article/view/8648987. Acesso em: 3 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)