Os esforços inovativos das grandes empresas farmacêuticas no Brasil

o que mudou nas duas últimas décadas?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rbi.v19i0.8655780

Palavras-chave:

Indústria farmacêutica, Grandes empresas, Capacidade tecnológica, Inovação, Brasil

Resumo

Este artigo compara os esforços inovativos das grandes empresas farmacêuticas nacionais (GEFNs) e transnacionais (GEFTs) atuantes no Brasil. A metodologia descritiva utiliza dados não publicados das últimas três edições da Pesquisa de Inovação (Pintec) – 2008, 2011 e 2014 – e uma revisão da literatura sobre a indústria farmacêutica e suas estratégias de inovação para explicar os esforços inovativos descritos pelos dados. Os resultados mostram a evolução positiva das GEFNs em termos de esforços de criação de capacidades inovativas, e a manutenção do padrão de baixos esforços inovativos das GEFTs no Brasil. Conclui-se que as GEFNs estão alterando seu padrão de investimentos em atividades inovativas. Tais resultados corroboram estudos empíricos, que mostraram o avanço na complexidade das capacidades inovativas dessas empresas, e apontaram outras estratégias utilizadas, como parceria com centros de conhecimento e internacionalização da P&D.

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Biografia do Autor

Julia Paranhos, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professora Associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Eduardo Mercadante, London School of Economics and Political Sciences

Aluno de doutorado e Assistente de Pesquisa na London School of Economics and Political Sciences, Londres, Inglaterra.

Lia Hasenclever, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Pesquisadora Associada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil, e Professora Colaboradora na Universidade Candido Mendes, Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil. 

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Publicado

2020-07-22

Como Citar

PARANHOS, J.; MERCADANTE, E.; HASENCLEVER, L. . Os esforços inovativos das grandes empresas farmacêuticas no Brasil: o que mudou nas duas últimas décadas?. Revista Brasileira de Inovação, Campinas, SP, v. 19, p. e0200015, 2020. DOI: 10.20396/rbi.v19i0.8655780. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/article/view/8655780. Acesso em: 18 maio. 2022.