Espaço urbano e subversão queer

ethos e cenografia na prática discursiva intersemiótica de Linn da Quebrada

Palavras-chave: Prática discursiva intersemiótica, Gênero e sexualidade, Espaço urbano, Linn da Quebrada, Queer

Resumo

Neste artigo, pretendo discutir as relações estabelecidas entre gênero, sexualidade e espaço urbano, a partir da prática discursiva intersemiótica de Linn da Quebrada. Pretendo, também, refletir sobre os lugares de resistência que corpos considerados desviantes ocupam subvertendo o valor inicial do espaço urbano, ou seja, ressignificando um status arquitetônico/urbanístico. Assim, fugindo dos padrões naturalizados de gênero e sexualidade passam a viver uma experiência diferente nas cidades, entre centro e periferia, entre lugares e não-lugares, reinventando a cidade com características que ela nunca teve ou jamais imaginou ter. Para esta análise, utilizo um recorte do corpus de minha pesquisa: a canção “Bomba pra Caralho” – como exemplar de produção discursiva do espaço canônico musical (cf. MAINGUENEAU, 2006). Na análise, utilizo o arcabouço teórico e metodológico da Análise do Discurso de linha francesa; reflexões sobre a relação entre o corpo e a cidade vindas da filosofia, sociologia e da arquitetura; além de pressupostos das teorias Queer, para pensar gênero e sexualidade para além da perspectiva dos binarismos, historicamente e discursivamente construídos, que orientam (performam) as práticas dos sujeitos, inclusive no campo da arquitetura e urbanismo.

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Biografia do Autor

Redson Pagnan, Universidade de Franca

Doutorando bolsista do PPGAU-FAU Mackenzie (2019/2023).

         

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Publicado
2019-12-03
Como Citar
Pagnan, R. (2019). Espaço urbano e subversão queer. RUA, 25(2), 489-504. https://doi.org/10.20396/rua.v25i2.8657759
Seção
Estudos