O cheiro e alguns ascos

imbricações materiais entre as obras parasita e a metamorfose

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rua.v26i2.8662005

Palavras-chave:

Materialidade significante, Cheiro, Cinema, Discurso

Resumo

Este trabalho coloca no centro do debate o estatuto analítico-discursivo do cheiro. É no filme Parasita, objeto de estudo escolhido para este artigo, que a questão se desenvolve. Procuro demonstrar que, com os procedimentos da Análise de Discurso materialista, é possível pôr à escuta o funcionamento do cheiro na imbricação material com o corpo, o espaço, a língua e o gesto. Nesse processo, o diálogo com a obra literária A Metamorfose, de Franz Kafka, torna-se produtivo, na medida em que coloca em causa relações simbólicas capazes de capturar os sujeitos em rupturas, ausências e humilhações.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Liliane Souza dos Anjos, Universidade Estadual de Campinas

Doutoranda em Linguística pelo Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade Estadual de Campinas. Professora da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo – FATEC.

Referências

CARONE, M. O parasita da família: sobre a metamorfose de Kafka. Literatura e Sociedade, v. 12, n. 10, p. 237-243, 2007.

CORBIN, A. Saberes e odores: o olfato e o imaginário social nos séculos XVIII e XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

HAROCHE, C. A condição sensível: formas e maneiras de sentir no Ocidente. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2008.

KAFKA, F. A metamorfose. Tradução de Lourival Holt Albuquerque. São Paulo: Abril, 2010.

LAGAZZI, S. Delimitações, inversões, deslocamentos em torno do Anexo 3. In: LAGAZZI, S.; ROMUALDO, E.C.; TASSO, I. (Orgs.). Estudos do Texto e do Discurso. O discurso em contrapontos: Foucault, Maingueneau, Pêcheux. São Carlos: Pedro & João, 2013. p. 311-332.

LAGAZZI, S. Entre o amarelo e o azul. Línguas e Instrumentos Linguísticos, n. 44, p. 290-316, jul/dez., 2019.

LAGAZZI, S. O recorte significante na memória. In: O Discurso na Contemporaneidade. Materialidades e Fronteiras. INDURSKY, F.; FERREIRA, M. C. L.; MITTMANN, S. (Orgs.). São Carlos: Claraluz, 2009, p. 67-78.

LAGAZZI, S. Trajetos do sujeito na composição fílmica. In: FLORES, G.; GALLO, S.; LAGAZZI, S.; NECKEL, N.; ZOPPI FONTANA, M. (Orgs.). Análise de Discurso em Rede: Cultura e Mídia. v. 3. Campinas: Pontes, 2017, p. 23-39.

ORLANDI, E. Dircurso e Texto: formulação e circulação dos sentidos. 3. ed. Campinas: Pontes, 2008.

ORLANDI, E. Discurso em análise: sujeito, sentido e ideologia. 2. ed. São Paulo: Pontes, 2012.

PARASITA. Direção: Bong Joon-ho. Coreia do Sul: Pandora Filmes Distribuidora, 2019. Online. Disponível em: https://www.telecineplay.com.br/. Acesso em: 03 mar. 2020.

PÊCHEUX, M. Delimitações, Inversões, Deslocamentos. Caderno de Estudos Linguísticos, Campinas, n. 19, p. 7-24, jul./dez., 1990.

PÊCHEUX, M. Ler o arquivo hoje. In: ORLANDI, E. (Org.). Gestos de leitura: da história no discurso. 4. ed. Campinas: Editora Unicamp, 2014, p. 57-67.

RODRÍGUEZ-ALCALÁ, C. Da Evidência do Espaço à evidência da percepção sensível: uma abordagem discursiva. In: ADORNO, G.; MODESTO, R.; FERRAÇA, M.; BENAYON, F.; ANJOS, L.; OSTHUES, R. (Orgs.). O Discurso nas fronteiras do social: uma homenagem à Suzy Lagazzi. v. 1. Campinas: Pontes Editores, 2019, p. 133-144.

Downloads

Publicado

2020-11-09

Como Citar

ANJOS, L. S. dos. O cheiro e alguns ascos: imbricações materiais entre as obras parasita e a metamorfose . RUA, Campinas, SP, v. 26, n. 2, p. 711–727, 2020. DOI: 10.20396/rua.v26i2.8662005. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8662005. Acesso em: 28 maio. 2022.

Edição

Seção

Estudos