Resumo
Ao longo dos últimos 40 anos, o RAP (Rhythm And Poetry) difundiu-se globalmente. A interpenetração global e local está associada ao processo de urbanização, em que se conectam redes e fluxos à divisão territorial e internacional do trabalho, cuja produção se materializa nas cidades. Neste artigo, objetiva-se compreender as ações econômicas de sobrevivência a partir do circuito de produção fonográfico da música RAP, denominado aqui, Circuito RAP, sobretudo, nas periferias urbanas. Dessa forma, será mobilizada a teoria dos circuitos da economia urbana proposta na década de 1970-1980 por Milton Santos, evidenciando assim, a sua atualidade com base nas ações do selo fonográfico independente, Produto Bruto, localizado no distrito do Grajaú, em São Paulo. Sem a organização política dos agentes ligados diretamente ao RAP, não é possível pensar em articulações que conduzam para um círculo comunicacional capaz de munir a organização social.
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