Como era bizarro o nosso cinema

transgressão conservadora de sady baby

Autores

Palavras-chave:

Sady baby, Pornochanchada, Transgressão, Cinema brasileiro, Sexo explícito

Resumo

O objetivo deste trabalho é examinar como produções cinematográficas do ator e diretor Sady Baby construíram representações acerca de homens heterossexuais, mulheres, homens homossexuais e travestis. O argumento central aponta que, ainda que o apelo ao bizarro e ao grotesco representasse resistência à domesticação e à normalização dos corpos, as obras desse diretor reproduziam valores depreciativos em relação a mulheres, homens homossexuais e travestis, enquanto reiteravam padrões de uma virilidade dominante dos personagens masculinos heterossexuais.

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Biografia do Autor

Diego Santos Vieira de Jesus, Escola Superior de Propaganda e Marketing

Docente e pesquisador do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa da Escola Superior de Propaganda e Marketing - Rio. Coordenador do Laboratório de Cidades Criativas da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 

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Publicado

2021-02-19

Como Citar

JESUS, D. S. V. de. Como era bizarro o nosso cinema: transgressão conservadora de sady baby. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 60, p. e206010, 2021. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8664588. Acesso em: 11 maio. 2021.

Edição

Seção

Artigos