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Perspectivas de desenvolvimento da Amazônia: motivos para o otimismo e para o pessimismo
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Palavras-chave

Amazônia. Desenvolvimento. Institucionalismo

Como Citar

SERRA, M. A.; FERNÁNDEZ, R. G. Perspectivas de desenvolvimento da Amazônia: motivos para o otimismo e para o pessimismo. Economia e Sociedade, Campinas, SP, v. 13, n. 2, p. 107–131, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8643046. Acesso em: 22 fev. 2024.

Resumo

O recente desenvolvimento da Amazônia brasileira envolve dois períodos distintos. O primeiro corresponde ao regime autoritário; nele, várias estratégias de desenvolvimento foram implementadas com o objetivo de maximizar ganhos imediatos, sendo elas responsáveis por consideráveis impactos socioambientais adversos. Já o período seguinte, a partir do início dos anos 1990, difere significativamente do primeiro. Caracteriza este período o reconhecimento, por parte do governo, do caráter predatório do modelo anterior. Todavia, os esforços do governo federal para conciliar uso produtivo e conservação ambiental colidem com sua estratégia de criar “Eixos de Desenvolvimento”, cujos objetivos para a Amazônia são o de integrá-la ao resto do país, vinculando-a ao mercado mundial. Neste cenário, a tradicional dicotomia vebleniana não se aplica perfeitamente, embora certas atitudes progressivas e cerimoniais possam ser identificadas. Este artigo objetiva analisar, à luz do pensamento institucionalista original, estes conflitos correntes e certos papéis contraditórios desempenhados por diferentes atores no desenvolvimento amazônico.

Abstract

The recent development of Brazilian Amazon embraces two different periods. The first one relates to the authoritarian regime under which several development strategies were implemented as to maximise immediate economic advantages; these strategies created adverse social and environmental impacts. The following period differs from the former insofar as Brazilian government, particularly in the 1990s, recognized the negative impacts generated by past development strategies and stressed that future undertakings in Amazonia should conciliate productive use and environmental conservation. However, these efforts collide with the “Axes of Development” strategy, whose objectives for Amazonia are to integrate it with the rest of the country, providing it access to the world market. In this scenery, the traditional Veblenian dichotomy doesn’t exactly fit, although certainly progressive and ceremonial attitudes can be recognized. This paper analyzes these current conflicts and the contradictory roles played by different actors in accordance with the original institutionalist thought.

Key words: Amazon. Development. Institutionalism

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