Transparência linguística

Palavras-chave: Tipologia. Transparência. Opacidade. Iconicidade. Isomorfismo.

Resumo

O objetivo deste texto é o tratamento do conceito de transparência, em oposição ao de opacidade, entendido não como o caráter previsível do significado a partir da forma, que identifica a noção de iconicidade, mas como a quantidade de significados expressa pelas formas. Enquanto numa relação icônica, a estrutura da língua reflete de alguma maneira a estrutura da experiência, numa relação transparente, ocorre isomorfismo, ou seja, uma relação biunívoca entre as unidades de significado e as unidades formais, conforme entendida pela Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld; Mackenzie 2008) e, em particular, Hengeveld (2011), Leufkens (2015) e Hengeveld e Leufkens (inédito).

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Biografia do Autor

Roberto Gomes Camacho, Universidade Estadual Paulista
Tem graduação em Licenciatura em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1973), mestrado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (1978), doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1984), pós-doutorado em Gramática Funcional pela Universidade de Amsterdã (2005), Livre-Docência pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2009) e pós-doutorado em Gramática Discursivo-Funcional pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional de Lisboa (2011). Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, onde atua, na Graduação e na Pós-Graduação, nas linhas de pesquisa em Descrição Funcional de Língua Oral e Escrita e em Variação e Mudança Linguística. Publicou os livros "Classes de Palavras na Perspectiva Discursivo-Funcional. O papel da nominalização no continuum categorial" em 2011 pela Editora da UNESP, "Da linguística formal à linguística social" em 2013 pela Editora Parábola e "Estratégias de relativização e construções alternativas nas línguas indígenas do Brasil", em parceria com Gabriela Maria de Oliveira pela Editora Cultura Acadêmica da UNESP, em 2013. Foi coordenador da área de linguística da FAPESP de 2006 a 2013 e Coordenador do Projeto de Pesquisa "Gramática do Português" da ALFAL de 2005 a 2015. Tem experiência nas áreas de Teoria e Análise Linguística e Sociolinguística e Dialetologia. É atualmente bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e Editor Responsável da Alfa-Revista de Linguística.
Erotilde Goreti Pezatti, Universidade Estadual Paulista
Licenciada em Letras pela UNESP/SJRP, mestre em Linguística pela PUC-Campinas, doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Ara. Concluiu, em 2005, pós-doutorado pela Universidade de Amsterdã e, em 2012, pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional de Lisboa, ambos em Gramática Discursivo-Funcional. Professora Assistente Doutor da UNESP/SJRP atua na Graduação e na Pós-Graduação, na linha de pesquisa Descrição e Análise Funcional de Língua Falada e Escrita, desenvolvendo temas relacionados à ordenação de constituintes na sentença, articulação de orações, estrutura argumental e tipologia linguística. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, desde 1994, e líder do Grupo de Pesquisa em Gramática Funcional (GPGF), cadastrado no CNPq desde 2002. Atualmente é Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UNESP/SJRP e Coordenadora da área de Linguística da FAPESP.
Danytiele Cristina Fernandes de Paula, Universidade Estadual Paulista
Graduada no Curso de Licenciatura em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, campus de São José do Rio Preto, é mestre em Estudos Linguísticos pela mesma instituição e realizou estudos na Universidad de Oviedo, Oviedo, Espanha. Defendeu, em 2014, a dissertação "O Sintagma Verbal em Português: construções perifrásticas e não-perifrásticas", na área de Descrição Funcional de Língua Oral e Escrita com foque na teoria da Gramática Discursivo Funcional. Atualmente, é doutoranda em Estudos Linguísticos pela Unesp e participa do Grupo de Pesquisa em Gramática Funcional (GPGF), realizando pesquisas na área de Tipologia em Língua Indígena. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando, principalmente, nos seguintes temas: análise funcional, ordenação de constituintes e construções perifrásticas.
Carolina Cau Sposito Ribeiro de Abreu, Universidade Estadual Paulista
Doutoranda em Estudos Linguísticos pela UNESP (Câmpus de São José do Rio Preto). Desenvolve o projeto intitulado "Transparência e Opacidade nas línguas indígenas Tupi-Guarani: uma abordagem discursivo funcional" sob orientação da Profª. Drª. Erotilde Goreti Pezatti. É graduada em Licenciatura em Letras pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), UNESP de São José do Rio Preto. Mestre em Estudos Linguísticos pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE). Professora de Língua Portuguesa e Língua Estrangeira (Inglês) para alunos do Ensino Básico e Tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, câmpus Passos. Tem experiência na área de Lingüística, com especialidade em Teoria e Análise Lingüística, atuando, principalmente, na linha de Descrição Funcional de Língua Oral e Escrita. No mestrado, desenvolveu o projeto de pesquisa ?Construções Adverbiais de Causa, Razão, Explicação e Motivação nas variedades lusófonas: uma abordagem discursivo-funcional?, financiado pela FAPESP (Proc. 2009/12617-7) sob orientação da Profª. Dra. Erotilde Goreti Pezatti. Além disso, é membro do Grupo de Pesquisa em Gramática Discursivo-Funcional (GPGF) sediado no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", câmpus de São José do Rio Preto, realizando pesquisas na área de Tipologia em Língua Indígena. Seus temas de interesse, portanto, são: Funcionalismo; Descrição do Português; Articulação das orações, Oração adverbial; Relação de Causa, Razão, Explicação e Motivação; Modicadores da relação Causal, Ordenação de Constituintes Oracionais; Ordem nas Orações, Transparência e Opacidade.

Referências

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Publicado
2017-11-16
Como Citar
Camacho, R. G., Pezatti, E. G., Paula, D. C. F. de, & Abreu, C. C. S. R. de. (2017). Transparência linguística. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, 17(2), 223-239. https://doi.org/10.20396/liames.v17i2.8649536
Seção
Dossiê