A transparência na expressão da quantificação nas línguas indígenas das famílias Tupi-Guarani e Maku

Palavras-chave: Quantificação. Transparência. Família Tupi-Guarani. Família Maku. Gramática discursivo-funcional.

Resumo

O presente artigo investiga a transparência na expressão da quantificação em oito línguas indígenas de duas famílias do Brasil, Tupi-Guarani e Maku. O objetivo é, a partir da perspectiva da Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld; Mackenzie 2008), analisar a quantificação nas línguas, destacando como esta ocorre dentro dos níveis de análise, e as relações de transparência e/ou de opacidade a partir da codificação de número. Com base em Câmara et al. (neste volume), parte-se do pressuposto de que a noção de pluralidade é expressa de duas formas, uma específica e outra não-específica. Desse modo, de acordo com a definição de transparência dada por Leufkens (2015) e Hengeveld e Leufkens (inédito), a análise dos dados mostra que as línguas da família Tupi-Guarani são transparentes com relação à expressão da quantificação, indicando apenas uma vez tanto a quantidade específica quanto a não-específica, não havendo acordo ou concordância de número. As línguas da família Maku expressam quantidade específica e não-específica de modos distintos, reforçando a proposta de Câmara et al. (neste volume) a respeito da transparência na expressão das formas de quantificação.

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Biografia do Autor

Danytiele Cristina Fernandes de Paula, Universidade Estadual Paulista
Graduada no Curso de Licenciatura em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, campus de São José do Rio Preto, é mestre em Estudos Linguísticos pela mesma instituição e realizou estudos na Universidad de Oviedo, Oviedo, Espanha. Defendeu, em 2014, a dissertação "O Sintagma Verbal em Português: construções perifrásticas e não-perifrásticas", na área de Descrição Funcional de Língua Oral e Escrita com foque na teoria da Gramática Discursivo Funcional. Atualmente, é doutoranda em Estudos Linguísticos pela Unesp e participa do Grupo de Pesquisa em Gramática Funcional (GPGF), realizando pesquisas na área de Tipologia em Língua Indígena. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando, principalmente, nos seguintes temas: análise funcional, ordenação de constituintes e construções perifrásticas.
Carolina Cau Sposito Ribeiro de Abreu, Universidade Estadual Paulista
Doutoranda em Estudos Linguísticos pela UNESP (Câmpus de São José do Rio Preto). Desenvolve o projeto intitulado "Transparência e Opacidade nas línguas indígenas Tupi-Guarani: uma abordagem discursivo funcional" sob orientação da Profª. Drª. Erotilde Goreti Pezatti. É graduada em Licenciatura em Letras pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), UNESP de São José do Rio Preto. Mestre em Estudos Linguísticos pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE). Professora de Língua Portuguesa e Língua Estrangeira (Inglês) para alunos do Ensino Básico e Tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, câmpus Passos. Tem experiência na área de Lingüística, com especialidade em Teoria e Análise Lingüística, atuando, principalmente, na linha de Descrição Funcional de Língua Oral e Escrita. No mestrado, desenvolveu o projeto de pesquisa ?Construções Adverbiais de Causa, Razão, Explicação e Motivação nas variedades lusófonas: uma abordagem discursivo-funcional?, financiado pela FAPESP (Proc. 2009/12617-7) sob orientação da Profª. Dra. Erotilde Goreti Pezatti. Além disso, é membro do Grupo de Pesquisa em Gramática Discursivo-Funcional (GPGF) sediado no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", câmpus de São José do Rio Preto, realizando pesquisas na área de Tipologia em Língua Indígena. Seus temas de interesse, portanto, são: Funcionalismo; Descrição do Português; Articulação das orações, Oração adverbial; Relação de Causa, Razão, Explicação e Motivação; Modicadores da relação Causal, Ordenação de Constituintes Oracionais; Ordem nas Orações, Transparência e Opacidade.

Referências

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(Dissertação de mestrado). Campinas: UNICAMP.

Publicado
2017-11-16
Como Citar
Paula, D. C. F. de, & Abreu, C. C. S. R. de. (2017). A transparência na expressão da quantificação nas línguas indígenas das famílias Tupi-Guarani e Maku. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, 17(2), 263-282. https://doi.org/10.20396/liames.v17i2.8649537
Seção
Dossiê

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