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O fenômeno de nasalização em línguas Tupí-Guaraní
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Palavras-chave

Fonologia
Fenômeno de nasalidade
Línguas Tupí-Guarani
Tipologia fonológica

Como Citar

MIRANDA, C. C.; PICANÇO, G. L. O fenômeno de nasalização em línguas Tupí-Guaraní. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, Campinas, SP, v. 20, n. 00, p. e020003, 2020. DOI: 10.20396/liames.v20i0.8658655. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/liames/article/view/8658655. Acesso em: 2 mar. 2024.

Resumo

Tupí-Guaraní, tronco Tupí. Para averiguação do processo de nasalidade em línguas Tupí-Guaraní utiliza-se como pressuposto teórico principal a abordagem tipológica de Walker (1998), para verificar e compreender, a partir de uma hierarquia tipológica de harmonia nasal, segmentos que podem ser gatilhos ou alvos do espalhamento nasal. O estudo também utiliza as considerações de Ohala (1993)  e Cohn (1990, 1993) para examinar o processo de nasalização como efeito fonético ou fonológico. A abordagem tipológica permitiu observar o comportamento de consoantes e vogais em relação à nasalidade, possibilitando sua classificação em termos de papéis que desempenham, sejam como gatilhos, alvos, bloqueadores ou transparentes. Além disso, verifica-se também a direcionalidade da nasalização que é predominantemente à esquerda (regressiva). Os resultados mostram que, na família Tupí-Guaraní, há o predomínio de vogais nasais como engatilhadoras, seguidas de consoantes nasais, ou ambas. Os alvos são predominantemente vogais, glides e líquidas; já as obstruintes surdas, em geral, comportam-se como bloqueadoras, mas há línguas em que elas são transparentes ao processo. O domínio da nasalidade nessas línguas é preeminentemente de dois tipos: Local, quando é consoante nasal (N) e a longa distância quando é vogal nasal (Ṽ).

https://doi.org/10.20396/liames.v20i0.8658655
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