A distinção massa e contável na gramática Rikbaktsa (Macro-Jê)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/liames.v21i00.8661408

Palavras-chave:

Distinção massivo-contável, Demonstrativos, Rikbaktsa, Línguas ameríndias

Resumo

Neste artigo investigamos a distinção massivo-contável na língua Rikbaktsa (Macro-Jê). Partimos do questionário de Lima & Rothstein (2020), o qual procuramos responder levantando os dados em um acervo inédito do qual já dispúnhamos, na pouca literatura sobre a língua (Boswood 1971, 1978; SIL 2007; Silva 2011), e em uma elicitação de dados com um falante nativo. A análise mostrou que há morfologia de plural e que ela não se combina com nomes de massa. Nomes que denotam átomos estáveis se combinam diretamente com numerais. Para serem contados, nomes de substância exigem a presença de sintagmas de medidas.  Esses são indícios de que a língua em questão pode ser caracterizada como uma língua de número marcado (Chierchia 2010, 2015), mesmo que haja alguns nomes de massa que podem ser contados diretamente. Em nenhuma das quinze línguas apresentadas em Lima & Rothstein (2020) há relato de um morfema especializado para marcar massa. Chacon (2012) afirma que o Kubeo (Tukano-Oriental) exibe um demonstrativo de massa. Esse é também o caso em Rikbaktsa, mas nesta língua o demonstrativo na ‘isto’, que seleciona nomes massivos, se espalha pela gramática: aparece com marca de terceira pessoa no pronome pessoal a-na, com proformas interrogativas e em construção atributiva. Este estudo contribui, portanto, para uma melhor compreensão da distinção massivo-contável através das línguas e da gramática desta língua minoritária.

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Biografia do Autor

Érica Milani Dellai, Universidade Federal de Santa Catarina

Graduanda em Letras-Português, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Vitória Maria Jasper Ern, Universidade Federal de Santa Catarina

Graduanda em Letras-Português na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Léia de Jesus Silva, Universidade Federal de Santa Catarina

Professora adjunta da Universidade Federal de Goiás e Universidade Federal de Santa Catarina. Doutorado em linguística pela Universidade de Paris 7.

 

Roberta Pires de Oliveira, Universidade Federal de Santa Catarina

Professora titular pela UFSC, pesquisadora 1 do CNPq na Pós-Graduação em Letras, UFPR, e na Pós-Graduação em inglês, UFSC.

Beatriz Martins Rachadel, Universidade Federal de Santa Catarina

Graduanda em Letras-Português na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

Bianca Maria de Souza, Universidade Federal de Santa Catarina

Graduanda em Letras-Português na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Publicado

2021-06-01

Como Citar

Dellai, Érica M., Ern, V. M. J., Silva, L. de J., Oliveira, R. P. de, Rachadel, B. M., & Souza, B. M. de. (2021). A distinção massa e contável na gramática Rikbaktsa (Macro-Jê). LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, 21(00), e021007. https://doi.org/10.20396/liames.v21i00.8661408

Edição

Seção

Dossiê Estudos sobre a distinção massivo-contável