Paraolimpíada ou paralimpíada no jornal Folha de S. Paulo

uma questão de disputa ortográfica?

Autores

  • Clevisvaldo Pinheiro Lima Universidade Federal do Piauí

DOI:

https://doi.org/10.20396/lil.v23i46.8658599

Palavras-chave:

Paralimpíada, Gramática, Dicionário, História das ideias linguísticas

Resumo

Em novembro de 2011, no lançamento das logomarcas oficiais dos jogos olímpicos e paraolímpicos ou paralímpicos do RIO 2016, o presidente do então Comitê Paraolímpico Brasileiro anunciou que o comitê brasileiro passaria a ser chamado de comitê paralímpico, bem como as paraolimpíadas passariam a ser nomeadas paralimpíadas. Embora tal decisão tenha sido acatada por diferentes meios de comunicação da imprensa brasileira, o Jornal Folha de São Paulo e sua plataforma online UOL, amparados em um discurso gramatical por meio de seu então colunista Pasquale Cipro Neto, decidiram pela não supressão do “o” desses termos e continuaram a enunciar em suas matérias paraolimpíada e paraolímpico. Nesse sentido, este trabalho visa compreender, pela história das ideias linguísticas, e utilizando como aporte teórico metodológico a análise de discurso materialista, de que ordem é essa disputa, entre a exigência de uma alteração ortográfica e sua não adesão pela Folha e pelo UOL.

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Biografia do Autor

Clevisvaldo Pinheiro Lima, Universidade Federal do Piauí

Doutorando em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas. Professor assistente do departamento de Libras da Universidade Federal do Piauí - UFPI.

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Publicado

2020-11-03

Como Citar

LIMA, C. P. Paraolimpíada ou paralimpíada no jornal Folha de S. Paulo: uma questão de disputa ortográfica?. Línguas e Instrumentos Línguísticos, Campinas, SP, v. 23, n. 46, p. 100-129, 2020. DOI: 10.20396/lil.v23i46.8658599. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/lil/article/view/8658599. Acesso em: 26 nov. 2020.

Edição

Seção

Artigo