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Políticas de línguas e o discurso lexicográfico
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Palavras-chave

Política de línguas
Sujeito urbano escolarizado
Discurso lexicográfico

Como Citar

SILVA, Mariza Vieira da. Políticas de línguas e o discurso lexicográfico: adequação-conversão-regeneração. Línguas e Instrumentos Linguísticos, Campinas, SP, v. 24, n. 47, p. 364–393, 2021. DOI: 10.20396/lil.v24i47.8666704. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/lil/article/view/8666704. Acesso em: 14 abr. 2024.

Resumo

Neste artigo, filiando-nos à História das Ideias Linguísticas e à Análise de Discurso pechetiana, visamos compreender como o trabalho com o léxico, articulando lexicologia, lexicografia e semântica, funciona nas políticas públicas de educação e de línguas a partir da segunda metade do século XX, como forma de gestão dos sentidos e do sujeito em uma formação discursiva neoliberal. A gestão discursiva da língua pelo léxico significa a normatização dos sentidos, logo, do sujeito, na busca de um mundo semanticamente normal – adequado -, em que se possam estabelecer fronteiras, limites, imaginariamente estáveis. Nessas demarcações e divisões, temos o confronto do simbólico com o político. Tomamos como material de descrição-análise, uma série formada pelas palavras adequação, adequar, adequado/a pela centralidade que elas têm desde os anos 1960/1970, nas políticas de línguas, nas práticas escolares e na vida em sociedade, dialogando com as séries: conversão, converter, convertido/a e regeneração, regenerar, regenerado/a, para que pudéssemos observar o movimento das formações discursivas, em que uma memória (discursiva) retoma, pela repetição e deslocamento, sentidos que asseguram o espaço da estabilidade e, ao mesmo tempo, abre-se para o não logicamente estabilizado.

https://doi.org/10.20396/lil.v24i47.8666704
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