Resumo
A partir da discussão em torno de um conjunto de práticas diferenciadas, inscritas sob a denominação geral de Práticas Sociais (Pêcheux, 2011), nosso objetivo principal é recorrer à definição de algumas dessas práticas, para descrever os modos de produção e as relações de produção de objetos etnográficos, constituídos pela transmissão de saberes de povos originários. A partir daí, buscamos investir no esgarçamento do conceito de identidade etno-discursiva (Souza, 2021), tomando como objeto de reflexão os modos de fazer diferentes artefatos etnográficos, com destaque para os grafismos identitários, no caso, de dois povos: Bakairi e Wai Wai. Por fim, um objetivo mais amplo é colocar em xeque certas posições teóricas que ora entendem os grafismos apenas como peças de arte indígena, ora como “arremedos” de uma escrita primitiva, que não evoluiu. Entendemos grafismos como formas de escritura que inscrevem o arquivo de saberes de uma sociedade de oralidade (Souza, 2016).
Referências
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