Prática arqueológica e memória social: redes de saber e poder nas pesquisas em áreas de expansão de cultivo no interior paulista

  • Camila Moraes Wichers Zanettini Arqueologia
Palavras-chave: Arqueologia preventiva. Musealização da arqueologia. Memória social

Resumo

Nesse artigo apresento algumas reflexões acerca do cenário atual das pesquisas arqueológicas em áreas de expansão de cultivo de cana de açúcar no Estado de São Paulo. Destaco o número reduzido de pesquisas nessas áreas, sobretudo, aquelas que envolvem etapas de resgate arqueológico e processos de socialização. Como contraponto, apresento o Programa Guarani de Gestão dos Recursos Arqueológicos, que já cadastrou 62 sítios arqueológicos, alguns datados entre os séculos XV e XVII, os quais remetem a discussões sobre a colonização europeia da região e o extermínio dos grupos indígenas, a partir da problematização dos conceitos de memória coletiva, memórias exiladas e passados excluídos. Nesse sentido, a escolha de determinadas posturas teóricas e práticas metodológicas tem possibilitado o questionamento acerca da história "oficial" que excluiu as populações indígenas das memórias locais.

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Biografia do Autor

Camila Moraes Wichers, Zanettini Arqueologia
Doutora em Museologia pela ULHT/Lisboa e em Arqueologia pelo MAE/USP. Diretoria Técnica da Zanettini Arqueologia.

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Publicado
2013-08-26
Como Citar
Wichers, C. M. (2013). Prática arqueológica e memória social: redes de saber e poder nas pesquisas em áreas de expansão de cultivo no interior paulista. Revista Arqueologia Pública, 7(1[7]), 20-38. https://doi.org/10.20396/rap.v7i1.8635667
Seção
Artigos