Redomas de vidro: relações entre tato, cultura material e práticas de institucionalização

Autores

  • José Roberto Pellini Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v8i1.8635679

Palavras-chave:

Toque. Cultura material. Arqueologia sensorial.

Resumo

Uma pergunta costuma me atormentar, dada sua aparente obviedade: porque não podemos tocar os objetos em museus? Podemos ver, podemos olhar, mas não podemos interagir com a cultura material institucionalizada. Por quê? Embora a resposta mais óbvia seja a de que o toque pode resultar na destruição dos objetos, acredito que haja algo mais profundo envolto nessa questão, que é a construção do tato como o sentido do inculto, do selvagem. Nesse sentido, tocar ou não tocar estabelece um jogo de autoridade que define o Eu e o Outro. Ao mesmo tempo, ao se excluir a possibilidade da interação corporal com os objetos, limita-se o entendimento do público e perpetua-se um modelo específico de entender o mundo.

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Biografia do Autor

José Roberto Pellini, Universidade de São Paulo

Doutorado em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo no ano de 2006. Nos anos de 2008 e 2012, realizei também no MAE/USP meus dois pós doutorados. Atuei como Professor Visitante no Departamento de Antropologia e Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais entre 2012 e 2013 e Professor Convidado do IGPA (PUC/GO) entre 2009 e 2010. Em março de 2013 me tornei Professor Adjunto do Núcleo de Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe, na cadeira de Arqueologia Teórica. Entre os anos de 2008 e 2012 fui o Diretor de Escavação da Missão Argentina em Luxor, Egito.

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Publicado

2015-06-02

Como Citar

PELLINI, J. R. Redomas de vidro: relações entre tato, cultura material e práticas de institucionalização. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 8, n. 1[9], p. 63–78, 2015. DOI: 10.20396/rap.v8i1.8635679. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8635679. Acesso em: 6 fev. 2023.

Edição

Seção

Artigos