Tudo vira lixo: patrimonialização do descarte

Autores

  • Martha Helena Loeblein Becker Morales Universidade Federal do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v9i3.8641277

Palavras-chave:

Lixo. Patrimônio. Século XX. Museu. Expografia

Resumo

A atribuição de valores que torna o lixo um luxo é parte inerente das decisões acerca da patrimonialização. O objetivo deste artigo é incitar um debate sobre o lugar da cultura material contemporânea nos processos de patrimonialização, exemplificado no caso do Museu Paranaense e suas políticas de aquisição e descarte de acervo. Apesar do circuito bastante comprometido com a exposição do período oitocentista, a materialidade do século XX começa a despertar o interesse da instituição. Surgem, por conseguinte, dúvidas a respeito dos limites entre passado e presente, dos objetivos institucionais e os problemas em torno da expografia da contemporaneidade. Enfim, se vivemos em um momento histórico no qual tudo pode virar lixo, a reflexão acerca da categorização deste universo tangível é um âmbito tão polêmico quanto fértil que possibilita transformar a maneira como construímos o passado e como vivemos no presente. 

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Biografia do Autor

Martha Helena Loeblein Becker Morales, Universidade Federal do Paraná

Doutora em História pela Universidade Federal do Paraná; coordenadora de produção na empresa INDEX Informação Integrada, alocada no setor de Gestão de Acervo do Museu Paranaense.

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Publicado

2015-10-23

Como Citar

MORALES, M. H. L. B. Tudo vira lixo: patrimonialização do descarte. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 9, n. 3[13], p. 30–38, 2015. DOI: 10.20396/rap.v9i3.8641277. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8641277. Acesso em: 4 dez. 2021.