Arqueologia, História e Direitos Humanos: um estudo da Guerrilha do Araguaia

Michael Justamand, Patrícia Sposito Mechi

Resumo


O artigo apresenta algumas considerações sobre algumas das contribuições que a arqueologia pode oferecer ao conhecimento de um dos episódios mais sombrios da ditadura civil-militar brasileira (1964 à 1985): a guerrilha do Araguaia. Ocorrida na região norte do país na tríplice fronteira entre os estados do Pará, Maranhão e Tocantins (à época norte de Goiás) e organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B) a guerrilha foi a principal forma de luta contra a ditadura vislumbrada por essa agremiação política, no contexto repressivo estabelecido a partir do golpe de estado que deu início ao último período ditatorial brasileiro. Na guerrilha, quase todos os guerrilheiros foram assassinados, muitos dos quais constam nas listagens organizadas por entidades que reúnem os familiares de mortos e desaparecidos políticos daqueles anos, além de relatos de assassinatos, torturas e desaparecimentos de camponeses da região. 


Palavras-chave


Arqueologia. História. Direitos humanos.

Texto completo:

PDF

Referências


ABREU, S. de B. De Zé Porfírio ao MST: A luta pela terra em Goiás. 2002. Brasília, André Quicé Editor.

CARVALHO, Aline Vieira de e FUNARI, Pedro Paulo A. 2009. A importância da Arqueologia Forense na construção das memórias perdidas nos períodos ditatoriais latino-americano. In: SOARES, Inês Virgínia Prado e KISHI, Sandra Akemi Shimada (coord.). Memória e verdade: a justiça de transição no estado democrático brasileiro. Belo Horizonte: Fórum.

CARVALHO, Aline Vieira de e FUNARI, Pedro Paulo A. 2009. Arqueologia forense como arqueologia pública: estado da arte e perspectivas para o futuro no Brasil. In: CARVALHO, Aline Vieira de; SOARES, Inês Virgínia Prado; FUNARI, Pedro Paulo A. & SILVA, Sérgio Francisco Serafim Monteiro. Arqueologia, direito e democracia. Erechim: Habilis.

COMISSÃO DE FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS; INSTITUTO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA DO ESTADO; GRUPO TORTURA NUNCA MAIS. 1996. Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964. São Paulo, Imprensa Oficial do Estado.

DIAS Filho, Claudemir Rodrigues. 2009. Entomologia forense e remanescentes humanos. In: CARVALHO, Aline Vieira de; SOARES, Inês Virgínia Prado; FUNARI, Pedro Paulo A. & SILVA, Sérgio Francisco Serafim Monteiro. Arqueologia, direito e democracia. Erechim: Habilis.

FUNARI, Pedro Paulo de Abreu. 2010. Arqueologia. São Paulo: Contexto.

FUNARI, Pedro P. A. 2013. “Arqueologia no Brasil e no mundo: origens, problemáticas e tendências”. Ciência e Cultura [online]. Vol.65, n.2.

FUNARI, Pedro Paulo A. e SOARES, Inês Virginia Prado. No prelo. Arqueologia da resistência e dos direitos humanos.

FUNARI, Pedro Paulo; ZARANKIN, Andrés & REIS, José Alberioni dos. 2008. Arqueologia da repressão e da resistência: América Latina na era das ditaduras (décadas de 1960-1980). São Paulo: AnnaBlume e FAPESP.

GRUPO DE TRABALHO ARAGUAIA. Relatório de conclusão. 04 de novembro de 2011, fl 22. Disponível em: http://2ccr.pgr.mpf.gov.br/coordenacao/grupos-de-trabalho/justica-de-transicao/relatorios-1/relatorio-final-gta-2011/Relatorio%20Final%20de%202011.PDFacessado em: 10 de julho de 2012.

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/04/01/pela-1-vez-forcas-armadas-reconhecem-

violacoes-na-ditadura-diz-coordenador-da-cnv.htm

JIMÉNEZ, José Vargas. 2007. Bacaba – Memórias de um guerreiro de selva da guerrilha do Araguaia. Campo Grande, Editora do Autor.

JUSTAMAND, Michel; MECHI, Patrícia Sposito & FUNARI, Pedro Paulo A. 2014. Repressão política e direitos humanos: arqueologia, história e memória da ditadura militar brasileira, in: MECHI, Patricia Sposito & MELO, Wanderson Fábio. Questões da ditadura: vigilância, repressão, projetos e contestações. Palmas: Editora da UFT.

KEELEY, Lawrence H. 2011. A guerra antes de civilização. Trad. Fábio Faria. São Paulo: É Realizações.

MECHI, Patrícia Sposito. 2012. Protagonistas do Araguaia: trajetória, representações e práticas de camponeses, militantes e militares na guerrilha. Tese de Doutorado, PUC-SP.

MECHI, Patricia Sposito. Março de 2013. “Contra a revolução, a barbárie”.Revista de História da Biblioteca Nacional. Dossiê Guerrilhas. n. 90.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, Procuradoria da República do Pará. Pará, junho de 2001. Inquérito Civil Público. Assunto: Direitos Humanos. Guerrilha do Araguaia. Investigação visando localizar os restos mortais de vítimas da repressão política.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, Procuradorias da República do Pará, São Paulo e Distrito Federal. Brasília, janeiro de 2002. Relatório Parcial das Investigações sobre a guerrilha do Araguaia.

MORAIS, Taís e SILVA, Eumano. 2005. Operação Araguaia: os arquivos secretos da Guerrilha do Araguaia. São Paulo, Geração Editorial.

NASCIMENTO, Durbens Martins. 2000. Guerrilha do Araguaia: Paulistas e militares na Amazônia. (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal do Pará.

S. NAVARRETE, Rodrigo e Y. LÓPEZ, Ana Maria. Rabiscando atrás das grades: grafites e imaginário político-simbólico no Quartel San Caelos (Caracas/Venezuela). 2008. In: FUNARI, Pedro Paulo; ZARANKIN, Andrés & REIS, José Alberioni dos. Arqueologia da repressão e da resistência: América Latina na era das ditaduras (décadas de 1960-1980). São Paulo: AnnaBlume e FAPESP.

SOARES, Inês Virgínia Prado & KISHI, Sandra Akemi Shimada. 2009. Memória e verdade: a justiça de transição no estado democrático brasileiro. Belo Horizonte: Fórum.

ZARANKIN, Andrés e FUNARI, Pedro Paulo A. 2009. “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”: arqueologia e construção da memória da repressão militar na América do Sul (1960-1980). In: CARVALHO, Aline Vieira de; SOARES, Inês Virgínia Prado; FUNARI, Pedro Paulo A. & SILVA, Sérgio Francisco Serafim Monteiro. Arqueologia, direito e democracia. Erechim: Habilis.

ZARANKIN, Andrés e NIRO, Claudio. 2008. A materialização do sadismo: arqueologia da arquitetura dos Centos Clandestinos de Detenção da Ditadura militar argentina (1976-1983). In: FUNARI, Pedro Paulo; ZARANKIN, Andrés & REIS, José Alberioni dos. Arqueologia da repressão e da resistência: América Latina na era das ditaduras (décadas de 1960-1980). São Paulo: AnnaBlume e FAPESP.




DOI: https://doi.org/10.20396/rap.v9i3.8641294

Métricas do Artigo

Carregando métricas...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2015 Revista Arqueologia Pública

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

Rev. Arqueol. Publ., Campinas, SP - ISSN: 2237-8294.