La espada de la independencia: agencia de los objetos, materialidad y recursos políticos en el proceso de patrimonialización entre los Mapoyo (Venezuela)

Autores

  • Lucio Menezes Ferreira Universidade Federal de pelotas
  • Elis Meza Universidade Federal de pelotas

DOI:

https://doi.org/10.20396/rap.v10i3.8645915

Palavras-chave:

Ativação Patrimonial. Materialidade. Bolivarianismo. Territorialidade Indígena. Mapoyo.

Resumo

As dinâmicas que regem os processos de ativação patrimonial estão fortemente imbuídas pela gestão das especificidades dos contextos nacionais. No caso da Venezuela, onde por quase duas décadas se maneja um discurso Bolivariano, é notável o uso, como recurso político, da possessão inter-regional de uma espada que o “Pai da Pátria, SimónBolivar, teria entregue aos Mapoyo como recompensa por sua participação na Guerra da Independência do começo do século XIX. Argumentamos que o capital simbólico associado à rememoração desse evento, junto à materialidade da espada, a qual evidencia sua autenticidade, tem influenciado no reconhecimento patrimonial dos Mapoyo e na outorga de sua titularidade territorial. Ressaltamos tanto a agência estabelecida pela espada, como a atuação dos Mapoyo na utilização desse “recurso escasso, para avançar seus interesses no contexto da inserção governamental num relato legitimador de seu projeto ideológico.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lucio Menezes Ferreira, Universidade Federal de pelotas

Possui graduação em História pela UFS (1995), mestrado (2002) e doutorado (2007) em História, área de concentração em História Cultural, pela Universidade Estadual de Campinas. Realizou pós-doutorado no Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp (2008). Tem experiência nas áreas de História e Arqueologia, com ênfase em: História da Arqueologia no Brasil e América do Sul e Arqueologia Histórica. Atua principalmente nos seguintes temas: Teoria Arqueológica, Arqueologia da Diáspora Africana e Patrimônio Cultural. Desde 2008, é professor do Bacharelado em Antropologia (linhas de formação em Antropologia Social e Cultural e Arqueologia) da UFPEL. Entre 2012 e 2017, foi professor permanente do programa de pós-graduação em Antropologia da UFPel. É professor efetivo do programa de pós-graduaçãoMemória Social e Patrimônio Cultural da UFPEL, o qual coordenou por três anos (2014-2017). Tem atuado como professor visitante nos seguintes programas de pós-graduação: Mestrado e Doutorado em Antropologia e Arqueologia do Instituto Interdisciplinario de Tilcara (Universidade de Buenos Aires); Mestrado em Antropología de la Cuenca del Plata da UDELAR (Montevidéo); Mestrado Internacional em Arqueologia da Universidade de Trujillo (Peru); Master Amériques da Universidade de Rennes II, França; e no Afro-Latin American Institute at the Hutchins Center da Universidade de Harvard. É Professor Colaborador do Master Internacional em Arqueologia (PREFALC) da Universidade de Rennes I, França; e do Master em Antropologia Iberoamericana da Universidade de Salamanca, Espanha. Desde 2010, é bolsista de produtividade do CNPq (PQ2). Integra o conselho editorial da Editora Annablume (Coleção História e Arqueologia em Movimento) e da editora The University of Alabama Press (Historical Archaeology in South America Series). É editor da Revista Memória em Rede, ligada ao Programa de Pós-graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural da UFPel, e da Revista Fragmentos del Pasado: revista de arqueología. 

Elis Meza, Universidade Federal de pelotas

Antropóloga (Universidad Central de Venezuela, 2013). Mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural (Universidade Federal de Pelotas, 2017). Doutoranda em Antropologia (Universidade Federal de Pelotas) como Bolsista CAPES. Teve atuação profissional na área de museologia e patrimônio cultural. Temas de pesquisa: Arqueologia Histórica, Arqueologia Pública, Colonialismo, Memória Afrodescendente, Patrimônio indígena.

Referências

ABREU, R. Museus indígenas no Brasil: notas sobre as experiências Tikuna, Wajãpi, Karipuna, Palikur, Galibi-Marworno e GalibiKali´na. En: FAULHABER, BERTOL &BORGES (orgs.) Ciências e Fronteiras. Museu de Astronomia e afins. Rio de Janeiro. 2012. P.10-20.

ABU-LUGHOD, J. Culture, globalization and the world-system. Macmillan. Londres. 1991.

ANGOSTO, L. Pueblos indígenas, guaicaipurismo y socialismo del siglo XXI en Venezuela. En Antropológica n. 110, p. 9-33. 2008.

ANGOSTO, L. Pueblo indígenas, multiculturalismo y la nueva geometría del poder en Venezuela. EnCuadernos del CENDES, Año 27, n73, Enero-Abril 2010. Pp.97-132.

APPADUARI, A. La vida social de las cosas. Perspectiva cutural de las mercancías. Editorial Grijalbo. México. 1991.

APPADURAI, A. The globalization of archaeology and heritage. A discussion with Arjun Appadurai. En Journal of Social Archaeology. Vol 1 (1)35-49. 2001.

ARANDA, G Y SALINAS, S. Bolívar según Chávez. Ensayo de una tendencia. RIL Editores. Santiago. 2013.

BAUDRILLARD, J. Le system des objects.Gonthier. Paris. 1968.

BEAUDRY, M, ET AL. Artifacts and active voices: material culture as social discourse.En The archaeology of inequality, McGuire, R y Paynter, R (eds.) Blackwell. Oxford. 1991.

BOCCARA, G e AYALA, P. Patrimonializar al indígena. Imaginación del multiculturalismo neoliberal en Chile. CahiersdesAmériques latines n.67, p. 207-227. 2012.

BORTOLOTTO, C. UNESCO, cultural heritage, and outstanding universal value: valuebased analyses of the World Heritage and Intangible Cultural Heritage Conventions. InternationalJournalofHeritageStudies. 21:5, 528-53. 2015.

CANCLINI, N. Los usos sociales del Patrimonio Cultural. En Aguilar Criado, E. Cuadernos Patrimonio Etnológico. Nuevas perspectivas de estudio. Consejería de Cultura. Junta de Andalucía. 1999. Pp. 16-33

CANDAU, J. Memória e identidade. Editora Contexto. São Paulo. 2011.

CASTILLO, J; DeMARAIS, E y EARLE, T. Ideology, materialization and power strategies. EnCurrentAnthropology 37 (1):15-31. 1996.

CLIFFORD, J. Four Northwest Coast Museums: Travel Reflections. En Karp, I y Lavine, Exhibiting Cultures: Poetics and Politics of Representation. SmithsonianInstitution. Washington. 1991.

CLIFFORD, J. The predicament of culture. Harvard University Press. 1988.

COMAROFF, J y COMAROFF, J. Etnografia e imaginação histórica. Tradução de Dulley, I e Janequine, O. EnRevista Proa, N2 (1):1-72, 2010.

CRUXENT, J, M. Datos demográficos. En Memorias de la Sociedad de Ciencias Naturales La Salle 21: 64-68, 1948.

DEBARY, Octave. Segunda mão e segunda vida: objetos, lembranças e fotografias. In: Revista Memória em Rede: Pelotas, v.2, n.3, ago-nov. 2010.

DIETLER, M. A tale of three sites: the monummentlization of Celtic opidda and the politics of colective memory and identity. World Archaeology 30, vol 30 (1) 72-89. 1998.

DOUGLAS, M Y ISHERWOOD, B. The world of goods.Toward an anthropology of consumption.Routledge. 1996.

DURÁN, R. (2008). WihiMopue (Soy Mapoyo): El Diseño de un Museo Comunitario en la Comunidad Indígena Mapoyo de El Palomo, Edo. Bolívar y su Utilización como Instrumento de Legitimación del Pasado y Reafirmación Identitaria. Trabajo Final de Grado, Escuela de Antropología, Universidad Central de Venezuela, Caracas, Venezuela.

FERREIRA, L.M. Essas coisas não lhes pertencem: relação entre legislação arqueológica, cultura material e comunidades. Revista de Arqueologia Pública, Campinas, 7: 87-106. 2013.

FOUCAULT, M. Bio-Histoire et Biopolitique. In: Dits et Écrits. Paris: Gallimard. Vol III, 1994, pp. 95-97.

GNECCO, C. Multivocalidad anos después. En RIVOLTA, M, MONTENEGRO, M, MENEZES FERREIRA, L Y NASTRI, J. Multivocalidad y activaciones patrimoniales en arqueología: perspectivas desde Sudamérica. Fundación de Historia Natural Félix de Azara. Buenos Aires. 2014. p. 35-46.

GOSDEN, C. What do Objects Want?. In: Journal of Archaeological Method and Theory, (12): 3, 93-211, 2005.

HALBWACHS, M. Les cadres sociaux de la mémoire. Albin Michel. Paris. 1994.

HENLEY, P. Los Wanai (Mapoyo). En Los Aborígenes de Venezuela, vol 2. Walter Coppens Editor. Fundación La Salle. Caracas. 1975.

HODDER, I. Cultural Heritage Rights: From Ownership and Descent to Justice and Well-being. Anthropological Quarterly vol 83 (4) pp.861-882. 2010.

Hodder, I. Entangled: An Archaeology of the Relationships between Humans and Things. Wiley-Blackwell, Oxford, 2012.

HODDER, I. The Entanglements of Humans and Things: A Long-Term View.New Literary History, Volume 45, Number 1, Winter pp. 19-36, 2014,

HOLTORF, C (2005) From Stonehenge to Las Vegas: Archaeology as Popular Culture. WalnutCreek, CA: Altamira Press.

INGOLD. T. Materialsagainstmateriality. En Archaeological dialogues 14 (1) 1-16. 2007.

JELIN,E. Los trabajos de la memoria. Siglo Veintiuno editores, España 2001.

JONES, A. Memory and Material Culture. Cambridge U. P, Cambridge, 2007.

JONES, S. NegotiatingAuthenticObjectsand Authentic Selves. Journal of Material Culture, (15): 2, 181-203, 2010.

KNAPPET,C Y MALAFOURIS, F. Material agency: towards an non-anthropocentric approach. Springer. New York. 2008.

KOCKELMAN, P. Agency. The relation between meaning, power and knowledge. En Current Anthropology 48(3) 375-401. 2007.

KOPYTOFF, I. A biografia cultural das coisas: a mercantilização como processo. In: APPADURAI, A. 2008. A vida social das coisas: as mercadorias sob uma perspectiva cultural. Niterói: EdUFF, 2008.

LATOUR, B. Reemsamblar lo social: una introducción a la teoría del actor-red. Manantial. Buenos Aires. 2005.

LIZARRALDE, R. Mapa etnográfico de Venezuela y Regiones adyacentes. En Antropológica, 29, 1971.

LOWENTHAL, D. Why Sanctions Seldom Work: Reflections on Cultural Property Nationalism. International Journal of Cultural Property, (12): 393- 423. 2005.

LOWENTHAL, D. The Heritage Crusade and the Spoils of History. Cambridge: Cambridge University Press, 1998.

MACHUCA, Jesús A. Patrimonio y retradicionalización en la cultura indígena y popular en Mexico In: FERREIRA, Maria L., MICHELON, Francisca F. Memória,patrimônio e Tradição. Pelotas, Edufpel, 2010.

MARX, K. O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte. En: Karl Marx e Friedrich Engels: Obras Escolhidas. São Paulo: Editora Alfa-Ômega, S/D, pp. 14-35.

MAZZUCHI, M.L e HEIDEN, R. Políticas Patrimoniais e reinvenção do passado: os pomeranos de São Lorenço do Sul, Brasil. In Cuadernos de Antropología Social, N30, PP.137-154. 2009.

MAUSS, M. Essaisur le don: forme e raison de l´échangedans les societésarchaiques. En Sociologie et antropologie. Paris. 1950.

MILLER, D. Shopping, place and identity. Londres. Routledge. 1998.

MINTZ, S. Sweetness and power. The place of sugar in modern history. Penguin Books. New York. 1985.

MOSONYI, E. E., & SUÁREZ LUQUE, M. (2009). Los Mapoyo: Un Pueblo Patriota Ignorado. Zona Tórrida(4), 21-28.

OLSEN, B. In defenseofthings. ArchaeologyandtheOntologyofObjects. AltaMira, Lanham, Maryland, 2010.

ORTIZ, R. Otro territorio: ensayos sobre el mundo contemporáneo. Convenio Andrés Bello.1998.

PERERA, M. Á. (1992). Los últimos Wánai (Mapoyos): Contribución al conocimiento indígena de otro pueblo amerindio que desaparece. Revista Española de Antropología Americana, 22, 139-161.

POULOT, D. Um Ecossistema do Patrimônio. In: CARVALHO, C. S. de;

GRANATO, M; BEZERRA, R. Z; BENCHETRIT, S. F. (orgs.). Um Olhar Contemporâneo sobre a Preservação do Patrimônio Cultural Material. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, pp. 26-43. 2008.

RUETTE, K. The Left-turn of Multiculturalism: indigenous and afrodescendant social movements in northwestern Venezuela. Ph. D DissertationSchoolofAnthropology. Universityof Arizona 2011.

SAHLINS, M. Cosmologies of Capitalism: the trans-pacific sector of the `World System´. En N. Dirks, G. Eley y S. Ortner (eds.), Culture/Power/History: A reader in contemporary social theory. Princeton University Press. 1994.

SCARAMELLI, F., & TARBLE, K. (2000). Cultural Change and Identity in Mapoyo Burial Practice in the Middle Orinoco, Venezuela. Ethnohistory, 47(3-4), 705-729.

STAVRAKAKIS, Y. The lacanian subject: the impossibility of identity and the centrality of identification. In: STRAVAKAKIS, Y. Lacan &thepolitical. London: Routledge, 1999. 13-39 p.

TILLEY, C. 2006. Identity, Place, Landscape and Heritage. Journalof Material Culture, (11): 1/2, 7-32.

TORNATORE, J.L. Patrimônio, memória, tradição, etc: discussão de algumas situações francesas da relação com o passado. In Revista Memória em Rede. Pelotas, v.1, n.1, dez.2009.

TURGEON, Laurier. La mémoire de la culture matérielle et la culture matérielle de lamémoire. In: DEBARY, Octave e TURGEON, Laurier. Objets e mémoires. Quebéc: Les Presses de l’Université Laval, 2007, pp. 13-32

Downloads

Publicado

2016-11-13

Como Citar

FERREIRA, L. M.; MEZA, E. La espada de la independencia: agencia de los objetos, materialidad y recursos políticos en el proceso de patrimonialización entre los Mapoyo (Venezuela). Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 10, n. 3[17], p. 91–113, 2016. DOI: 10.20396/rap.v10i3.8645915. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8645915. Acesso em: 5 fev. 2023.